Um novo tempo
José Donizetti Brandino de Oliveira


Um tempo novo tem se mostrado em nossos dias. O jovem "sonha intensamente" com ideias que possam transformar seu patriotismo em amores eternos. E não em ditames infundados de obediência servil e a grupelhos de uma ditadura cadavérica que, felizmente, já passou.
Entretanto, a juventude desconhece as ideias de outrora. O mundo da direita e da esquerda já não encontra mais uma definição precisa na síntese da democracia contemporânea. Quebrando paradigmas, até mesmo a "prática" da democracia mudou.
A história mudou, o tempo é outro, os valores se alteraram. A dicotomia bom e ruim deixa de ser a categoria de análise desse tempo. Por isso, os discursos e as práticas eleitoreiras jazem no limbo do desprezo. É comum ouvirmos que a juventude não se interessa pelos destinos políticos do País. A juventude não entende essa discurseira hereditária e de pretensão vitalícia, desprovida de sentido de verdade.
A mobilização agora começa nas redes sociais para, só depois, ganhar as ruas. E é neste palco inconteste do povo, que mais uma vez os brasileiros – principalmente os jovens - demonstraram que não são alienados. "Não é só por R$ 0,20", mas por leis que escamoteiam e aprofundam as injustiças sociais e do fim dos populismos desguarnecidos de estruturas de realidade, que assistimos a um novo despertar da consciência política.
Nestes dias de comemoração de nossa Independência, manifesto o profundo desejo de encontrarmos discursos eivados de transformação e realidade que possam movimentar um país novo, de ideias novas. A verdadeira independência está no livre pensar. E seus ideais, bem como sua manutenção, dependem diretamente de como cultivamos e vamos continuar cultivando sua importância entre os jovens estudantes.

JOSÉ DONIZETTI BRANDINO DE OLIVEIRA é coordenador pedagógico e professor de História em Londrina




Produtores e a falta de incentivos
Narciso Pissinati


Boa parte dos alimentos da mesa dos brasileiros é oriunda dos pequenos e médios agricultores. Porém, nem sempre eles podem contar com políticas de incentivos por parte do governo que ofereçam linhas de crédito com facilidades para pagar, amparo técnico e subsídio. Essas propriedades rurais são compostas por trabalhadores rurais que produzem com pouca tecnologia, muitas vezes utilizando apenas a mão de obra familiar. Apesar da extrema relevância exercida por esses produtores, a cada ano, o pequeno e médio produtor vê mais dificuldade em manter a propriedade produtiva.
Falta vontade política para resolver a situação dos nossos produtores rurais, que são atingidos também pela falta de uma política de incentivo à diversificação agrícola. Estamos desfalcados ainda de programas voltados ao fortalecimento dos setores produtivos da agricultura familiar.
Essa questão é preocupante, pois os pequenos e médios produtores convivem com dificuldades produtivas, como baixa produtividade, baixo preço e altos custos de produção. É urgente que o governo olhe pelos pequenos e médios produtores para evitarmos que tais problemas venham forçar a venda de suas propriedades num futuro próximo. São necessárias políticas agrícolas voltadas para o planejamento, o financiamento e o seguro da produção. Não é raro vermos na região propriedades desprovidas de aplicação de tecnologias e conhecimento, praticando as mesmas atividades há anos sem apostar na diversificação por falta de incentivos.
A produção agrícola com qualidade, sustentabilidade e segurança alimentar vai nortear os próximos anos da agricultura. Estudo elaborado por entidades técnicas mostra que até 2020 a produção terá que crescer mais de 20% para termos segurança alimentar no mundo. O Brasil tem potencial para crescer 40%. Está aí a grande oportunidade para o governo e os agricultores se entenderem, dissipando os gargalos e aumentando a produção agrícola principalmente do pequeno e médio produtor.

NARCISO PISSINATI é presidente do Sindicato Rural Patronal de Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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