ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Luiz Antônio Gaulia 
Sabemos lidar muito bem com as coisas, as máquinas, os processos
concretos. Contudo, não é tão fácil tratarmos daquilo que é subjetivo e se refere ao mundo das emoções e das relações humanas. Em diversas disciplinas e matérias de estudo aprendemos as técnicas e o racionalismo que traça planos e métricas apontando diretrizes e padrões que funcionam muitas vezes nas pranchetas, mas que na vida real, de sangue, suor e lágrimas, emperra. Quando isso acontece vemos profissionais de grande calibre técnico e trabalhadores competentes se desequilibrarem e perder o rumo.
É por isso que o esporte faz parte da educação. As competições entre times e seleções de diferentes colégios, clubes e países ensinam muito. É pelo esporte que a vida de um aluno pode ficar mais sadia a partir do momento em que as derrotas, as vitórias e também os empates, o trabalho em conjunto, a preparação e a busca por resultados e pelo mérito merecido por uma conquista, ganham total conexão com a nossa vida.
Desde cedo, um esporte como o vôlei, o basquete, o futebol e o remo ensinam a importância do espírito de coletividade, esforço em equipe, colaborativo e a interdependência entre cada membro da mesma seleção. Cedo também, quando o esporte é individual, como o tênis, a esgrima, o atletismo, a natação, aprendemos a conhecer e superar nossos próprios limites físicos que necessariamente estão ligados aos mentais e emocionais. Desse somatório, surgem cidadãos melhores.
O esporte como plataforma educacional é assim extremamente valioso para fazer a juventude entender que a vida adulta é cheia de altos e baixos, tem momentos de glória e de tristeza e nesse cair e levantar ela nos ensina a caminhar com mais confiança, com mais maturidade e respeito aos outros. Entender a perda em qualquer competição esportiva é tão importante quanto saber ganhar. O perdedor de hoje pode ser o novo campeão de amanhã quando, ao analisar suas falhas, percebe como o outro time ou o atleta vencedor planejou sua trajetória, aproveitando com mais seriedade e dedicação seus treinamentos, tendo maior foco no resultado desejado. O campeão de hoje sabe que precisa se superar e ir além da sua conquista momentânea para manter-se no pódio, e que muitas vezes, apesar de toda a sua preparação, o inusitado pode acontecer e mudar os rumos dos acontecimentos.
O esporte complementa a educação formal quando oferece um aprendizado valioso sobre nossos limites físicos, mentais e emocionais, ensinando o jovem atleta sobre espírito coletivo, colaboração, superação, disciplina e também técnica, conhecimento e saúde.
Trabalhar o esporte e seu valor educacional para nossos jovens é uma prioridade para o Brasil.
Escolas fundamentais, de Ensino Médio e instituições de educação superior, públicas ou privadas, precisam estar atentas e conscientes de seu papel nessa integração, além das salas de aula. O investimento certamente será precioso e vai deixar um
verdadeiro legado para a vida de nossa juventude.
Sabemos que a educação tem o poder de transformar vidas e mudar realidades. Lembrando Pierre de Coubertin, considerado o Pai da Olimpíada Moderna, o esporte é capaz de forjar cidadãos melhores, "pois não estamos neste mundo para viver nossa vida, e sim a dos outros. As maiores alegrias, desse modo, não são as que nós mesmos aproveitamos, e sim, as que oferecemos ao próximo." Este é o espírito para construirmos uma sociedade melhor.
LUIZ ANTÔNIO GAULIA é gerente de Sustentabilidade do Grupo Estácio em Curitiba
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