ESPAÇO ABERTO
Orgulho de Londrina
Maria Elisa Ferraz Paciornik
Atendendo a um convite do médico Marcio Almeida, compareci, na noite curitibana, gelada de 16/8, na abertura do 2º Congresso Paranaense de Saúde Pública.Lá foram homenageados os doutores Nelson Rodrigues dos Santos, Euclides Scalco e Luiz Cordoni Jr a enfermeira Lilian Bueno de Magalhães e a assistente social Darcy Reis. De surpresa, foi homenageado também o médico Marcio Almeida. Os homenageados constituem a elite da Medicina pública no Brasil. À medida em que um vídeo mostrava as origens e atuação de cada homenageado, como londrinense, fui ficando cada vez mais orgulhosa da minha terra e, sobretudo, da minha gente.
Explico: a Universidade Estadual de Londrina foi, e é ainda, o celeiro dos talentos na área de Medicina pública, uma das instituições pioneiras nessa área: dr. Nelson lá atuou, assim como o Luiz Cordoni e o Marcio Almeida. Também o atual secretário estadual da Saúde, Michele Caputto,frequentou aquela escola e fez um discurso comovido. Lilian Bueno de Magalhães foi a primeira enfermeira doutora do Paraná e a assistente social Darcy Reis, baiana de nascimento, paranaense de adoção, foi quem criou e incentivou a multiplicação dos conselhos de Saúde no Paraná.
Euclides Scalco, de origem gaúcha, radicado em nosso Estado,para nosso orgulho, dispensa referências: ele próprio é uma referência de ética e honestidade no Brasil. Foi deputado da Assembleia Constituinte, que produziu a Constituição Brasileira de 1988 e participou da criação do Sistema Único de Saúde. Foi gratificante ver tantos talentos a serviço de um setor tão importante para os brasileiros, todos tendo o Paraná como terra de nascimento ou de adoção. Tive que concordar com o que disse Eduardo Campos, na entrevista que concedeu na véspera de sua trágica morte: "Não podemos desistir do Brasil". Saí do evento com a alma cheia de esperanças de um país melhor e mais justo.
MARIA ELISA FERRAZ PACIORNIK é advogada londrinense, radicada em Curitiba, e superintendente da Associação dos Amigos do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná
Sobre as provas da existência
Walmor Macarini
O corpo é apenas um reflexo pálido de nossa existência. Por isso dizer-se, quando ele se desprende da essência primordial, que é o "resto mortal". Não é, portanto, "uma das essências", mas apenas um invólucro que guarda o principal. O materialismo, muito presente na intelectualidade, cultua o corpo, uma vestimenta que precisa ser cuidada enquanto instrumento de sustentação da vida terrena, mas inevitavelmente perecível. E pela visão metafísica, o que perece não pode ser prova de existência.
O alcance de níveis intelectuais elevados costuma aproximar-se do limite vizinho do ateísmo, portanto, da materialidade que ignora a realidade fundamental que é a transcendente porque não fomos ensinados a entendê-la. Se nos intelectualizamos demais podemos atrofiar a intuição. Ser livre ou prisioneiro não é uma condição do corpo e suas emoções, mas de uma expandida cosmoconsciência, que incursiona pelas regiões da alma. Estar no aqui e agora, existir no presente, não significa apenas estarmos entronizados neste envoltório carnal e viver esse status.
O filósofo Michel Foucault citado em recente artigo neste Jornal diz: "A alma funciona maravilhosamente dentro do meu corpo. Nele ela se aloja evidentemente, mas sabe escapar dele; escapa para ver as coisas; escapa para sonhar enquanto durmo; escapa para sobreviver quando morro". Esta parte contradiz a exaltação do corpo físico. Sim, o amor, que não é propriamente sentimento embora convencionou-se que assim seja mas amálgama, energia e poder, consciência, é acertadamente "a maior dádiva a nos dar a certeza da vivência". Mas o corpo e o amor entendido sob esse prisma abrangente e real nada têm em comum. Porque o amor não se manifesta por via de qualquer sinal físico, aí incluídas as palavras. Estas são articulações que expressam sentimentos, mas por si mesmas não podem revelar o amor. Podem compor versos que falem do amor mas nunca demonstrá-lo.
As partes invisíveis do nosso corpo não são as que estão atrás dele mesmo, porque há algo mais de invisível, e é justamente esse sublime invisível a principal prova da existência.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina
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