Lamento ter de me envolver com a questão Israel/Palestina, e o faço em razão do artigo "Sobre a questão palestina" escrito por Thiago Leibante, professor colaborador do departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina (Espaço Aberto, 15/8), instituição à qual dediquei 29 anos de minha vida com o maior amor e dedicação.
A primeira obrigação de um professor deve ser com a verdade dos fatos. A afirmação dele de que Israel não se defende, e sim pretende exterminar o povo palestino, revela extremo desconhecimento dos fatos históricos. Ignora ele que, em 1945, as Nações Unidas aprovaram o plano de partilha da Palestina, antiga província turca colocada desde 1919 sob o mandato britânico, que abrangia a maior parte da Cisjordânia até Lydda, a Galileia Ocidental e a Faixa de Gaza desde a fronteira egípcia até um ponto situado a 30 quilômetros ao sul de Tel Aviv e uma parte do deserto do Neguev. Segundo esse plano de partilha, Jerusalém ficaria sob a tutela internacional.
Proclamado em maio de 1948, dentro das fronteiras traçadas pela ONU, o jovem Estado de Israel foi imediatamente atacado pelos exércitos libanês, sírio, jordano, egípcio e iraquiano, liderados pelo ditador Nasser, do Egito, com seu pan-arabismo. Em 1949 houve vários armistícios, em decorrência da defesa heroica dos judeus, derrotando-os, ficando decidido que: Israel mantém a Galileia Ocidental e a totalidade do Neguev; o Egito tomou a faixa de Gaza; a margem ocidental do Jordão passou a formar parte da Jordânia, estado criado após 1918 pelos ingleses e entregue à dinastia que os ajudou a combater os turcos. Dos árabes que ficaram no território de Israel, muitos foram integrar os exércitos árabes e combater o novo estado. Os egípcios proibiram aos habitantes da Faixa de Gaza que fixassem residência em seu território, mantendo-os como refugiados na pequena faixa até hoje. A Jordânia, ao invés de criar o Estado Palestino, passou a tratar os palestinos como refugiados, não lhes permitindo que saíssem da margem do Jordão, e quando estes reagiram contra o tratamento, foram atacados pelas armas, morrendo muitos, no que ficou conhecido como Setembro Negro em 1970. Desde a fronteira síria, de Jerusalém oriental, da Jordânia, os israelenses até a presente data foram hostilizados e atacados militarmente. Dentro das fronteiras de Israel, os maometanos assim como os católicos tiveram seus cultos protegidos pelo Estado. Israel vem afirmando que se contenta com as primitivas fronteiras desde que seus vizinhos lhe assegurem a paz e reconheçam o seu direito de existir. E diz o articulista que Israel não está se autodefendendo, quer é ampliar seu território!
Novamente, está equivocado o articulista quando diz que Israel foi criado em compensação do holocausto e que isso dificulta a solução. Nada compensa o sofrimento e o assassinato perpetrado por esse mesmo sentimento que anima o articulista.
A ideia do sionismo é antiga, faz parte da religião mosaica. A criação do Estado de Israel foi batizada e sacramentada pelo sangue dos seus heróis. Israel existe porque transformou areia em florestas, criou uma civilização no deserto, com universidades e hospitais acessíveis a todos, existe porque se baseia no progresso, na educação e na ciência, que põe à disposição de toda a humanidade.

DAVID SCHNAID é ex-professor de Teoria Geral do Estado, Direito Constitucional e Filosofia do Direito da UEL e advogado em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

mockup