ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
Thiago Leibante 
Muito se tem debatido sobre o que ocorre atualmente no Oriente Médio na chamada Faixa de Gaza. São as polêmicas em torno da questão palestina. Em meio a argumentos a favor ou contra um dos lados, uma série de informações incorretas e desencontradas se proliferam pelos meios de comunicação.
Em primeiro lugar, não há propriamente o que poderíamos chamar de "conflito" entre Israel e a Palestina. Hoje, com base no número de mortos (mais de 1.900 palestinos, a maioria civis, e do lado de Israel 64 soldados e 2 civis), podemos dizer que o que está em curso é uma tentativa por parte do Estado de Israel de eliminação e extermínio do povo palestino. Não há conflito, há massacre.
É também dito por aí que Israel "apenas" se defende do ataque de grupos terroristas, como do Hamas ou outros. Ora, essa é uma inverdade pois não se trata meramente de "autodefesa", na medida em que ao longo do século 20 foram muitas as batalhas empreendidas por Israel com objetivos econômicos e políticos bastante específicos de ampliação da sua faixa de atuação e anexação de territórios, com uso de práticas militares, o que permanece nos dias de hoje.
Famílias inteiras de palestinos são expulsas de suas casas com objetivo de ampliação dos assentamentos israelenses em regiões estratégicas e ricas em recursos hídricos. Além disso, o arsenal militar de Israel é o maior da região, não conseguindo os grupos palestinos fazer frente ao poderio bélico israelense, de forma alguma.
Se há terrorismo, esse também é praticado pelo Estado de Israel contra a população civil e contra os presos políticos, inclusive com a prática da tortura. Também não é segredo que Israel tem contado com apoio dos Estados Unidos e a conivência da Organização das Nações Unidas que, diga-se de passagem, é uma das responsáveis pela desigual divisão territorial ocorrida em 1948, quando mesmo os árabes constituindo mais que o dobro dos judeus acabaram ficando com menos da metade dos territórios.
Dizem os especialistas que teria sido uma "compensação" aos judeus pelos sofrimentos do Holocausto (em torno de 6 milhões de mortos) e isso serviria até hoje como um elemento dificultador para se pôr um "freio" aos ataques promovidos por Israel.
Ocorre que um evento inegavelmente terrível e desumano como o Holocausto não pode servir de argumento para novas atrocidades. Inclusive muitos intelectuais judeus têm tido um posicionamento admirável e se pronunciado de forma digna contra os ataques e a política de Israel contra o povo palestino.
Isso significa que tomar posição contra a postura colonialista e genocida de Israel não significa de forma alguma uma atitude antissemita, como querem fazer parecer alguns. Denota sim uma postura humanista e que não aceita que em seu nome sejam destruídas casas, escolas, hospitais e que se mate sem qualquer escrúpulo famílias inteiras de velhos, crianças, mulheres e homens que apenas desejam poder sobreviver em meio ao terror.
É preciso separar o joio do trigo para que a crítica ao genocídio promovido pelo Estado de Israel seja feita sem medo e levada adiante pelas instituições e organismos que ainda acreditam que a vida humana tenha algum valor.
THIAGO LEIBANTE é professor colaborador do departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina
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