ESPAÇO ABERTO
Aumento do IPTU
Theophilo Paranaense Coutinho Gomes
Londrina nasceu e cresceu em função do mercado imobiliário. Nas décadas de 1930 e 1940, a Companhia de Terras Norte do Paraná vendia lotes urbanos e rurais em longas prestações possibilitando a todos ter um ou mais lotes. Posteriormente, os lotes rurais que circundavam a cidade foram sendo loteados para serem pagos em vários anos. Criou-se uma cultura de investimento imobiliário.
A população comprava lotes nem sempre para morar, mas também para construir e alugar, visando ter uma renda a mais. Comprava para se defender da inflação que sempre foi uma constante no País.
Ainda, atualmente, grande parte dos lotes adquiridos e vazios visa investir em algo sólido que, ao contrário da Bolsa de Valores com seus altos e baixos e da poupança que rende menos que a inflação, apresenta um crescimento paulatino mantendo o patrimônio do investidor. Há muitos lotes vazios, mas a responsável é a prefeitura que continua aprovando loteamentos e condomínios, inclusive fora da zona urbana.
O IPTU atrelado à atual planta de valores e alíquota progressiva representa um confisco das propriedades que favorecerá somente as construtoras e imobiliárias. As construtoras já estão tendo dificuldades em adquirir lotes, principalmente na Gleba Palhano. Numa chácara naquele local, o IPTU vai chegar a 8% do valor fixado pela prefeitura (60% do valor venal), desta forma uma chácara no valor de R$ 5 milhões, normal para aquele local, vai ser taxada em R$ 240 mil de IPTU por ano. O proprietário precisará vendê-la a baixo preço a fim de não perdê-la para o município. Essa situação me lembra quando na ditadura o governo confiscou boi no pasto para forçar a baixa da carne. Mesmo nos bairros populares onde a renda da população é mínima, o elevado aumento do IPTU vai dificultar ainda mais a vida da população. A prefeitura está jogando pedra na colmeia, pensando em tirar mel. Espero que os vereadores tenham mais bom senso do que o Executivo.
THEOPHILO PARANAENSE COUTINHO GOMES é engenheiro civil em Londrina
O homem e o tigre
Isabela de Arruda Campos Baccarin
O pobre do menino perdeu o braço. Não por culpa do tigre, não por culpa do zoológico. O pobre do tigre, enjaulado, preso a sua natureza felina, aos seus instintos, incapaz de enxergar algum sentido para sua existência, vislumbrar seu futuro, decidir seu presente, contemplar a beleza da natureza que o cerca. Logicamente, se pobre do tigre, muito mais pobre do menino que perdeu o braço, que compreende o valor de um braço, que sente a dor da sua perda, que teve sua integridade física (muito mais valiosa que a do tigre) afetada.
Um braço humano vale mais do que um tigre, com certeza. Mas me surpreende muito que alguns tivessem aventado a possibilidade de sacrificar o tigre. Pobre do tigre que não tem como gozar da liberdade verdadeira. Ou alguém já viu um tigre fazer greve de fome? Ao contrário do animal, um homem, ainda que enjaulado, consegue ser livre na medida em que é capaz de governar seus atos e instintos.
Vejamos a incoerência: as pessoas que regem nossa sociedade, seja por ideologia, seja por imbecilidade, nos "educam" dia a dia para agirmos como animais, escravos dos instintos. Exemplifico: em vez de implantarem nas nossas escolas aulas de educação moral e afetiva para ensinar as crianças sobre o reto papel da sexualidade na vida humana, implantam aulas de (des)educação sexual, cujo foco consiste em adestrar os brasileirinhos para que se vejam como animais e deixem-se arrastar pelos instintos de forma indiscriminada, como se não tivessem capacidade de se autoestabelecer e dominar-se, pois é isso que se ensina quando a educação restringe-se ao "use camisinha!".
Assim, se não nos surpreendemos ou sequer nos questionamos, quando nos "educam" para agirmos como animais, puramente regidos pelos instintos, principalmente no campo da sexualidade, por que nos surpreendermos quando um tigre age de acordo com seus instintos e ataca o menino que o perturbava? Ora, o homem deve agir como animal, mas o animal, se o faz, deverá ser sacrificado?
ISABELA DE ARRUDA CAMPOS BACCARIN é advogada em Londrina
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