A Comissão Estadual da Verdade do Paraná passou por Londrina nos últimos dias 7 e 8 para ouvir as vítimas da região e estabelecer a "verdade", já que essa é a função da dita comissão. Venho acompanhando os trabalhos das comissões da verdade pelo Brasil afora e observei sempre um fato: ela, até hoje, conversou apenas com vítimas do governo militar. E, me parece, foi criada especificamente para investigar esses crimes. Mas, se eles usam a expressão "crimes da ditadura", deveriam ouvir também as famílias das vítimas do outro lado. O lado que ora dá as cartas em Brasília e que, parece, é intocável.
Nada contra a investigação dos crimes dos militares, crime é crime e fim.
Se isso é verdade, por que essa comissão nunca conversou com familiares das vítimas dos terroristas, como a família do contra-almirante Nelson Gomes Fernandes e do então secretário de Imprensa do governo de Pernambuco, jornalista Edson Regis de Carvalho, assassinados num atentado a bomba perpetrado pelos "revolucionários" no Aeroporto de Recife, em 12/7/1966, comandado pelo ex-padre comunista Alípio de Freitas? Ou mesmo com as famílias das outras 13 vítimas graves daquele atentado contra a vida do marechal Costa e Silva? Por que essa comissão nunca entrevistou os familiares do soldado Mario Kozel, assassinado na explosão do carro-bomba no Quartel do 2º Exército, em São Paulo? E por que a família do tenente Alberto Mendes Junior, da PM de São Paulo, assassinado de forma vil e brutal por Carlos Lamarca e seu bando no Vale da Ribeira, nunca foi ouvida pela comissão?
Nunca soube que a "comissão" tivesse conversado com familiares das vítimas do atual político Diógenes (Diógenes José Carvalho de Oliveira) do PT gaúcho. Ele praticou todo tipo de crime como atentados a bomba em bibliotecas, jornais, quartéis, hospitais, bancos, como o ataque ao Quartel do 2º Exército já citado, o assassinato brutal do capitão Charles Rodney Chandler, na frente dos filhos e da esposa, e de todas as suas "ações revolucionárias" que resultaram em mortes e mutilações de vítimas inocentes, como estudantes e trabalhadores, e por aí afora. A comissão já conversou com as famílias das vítimas desse famigerado? Duvido.
Não vou continuar, pois são 120 assassinatos, fora sequestros, assaltos, explosões, etc., mas os exemplos citados são suficientes.
Essa é uma comissão política criada e usada, única e exclusivamente, para defender os interesses e dissimular os crimes dos que hoje detêm o poder, mas cujas ações deletérias estão escancaradas em todas as fontes históricas.
A diferença é que, enquanto os militares defendiam a manutenção da ordem institucional tentando impedir a instalação de um governo comunista no estilo soviético, eles assassinavam e torturavam com a mesma frieza pessoas, muitas vezes inocentes: estudantes, guardas e funcionários de bancos e hospitais, militares, enfim, algo monstruoso, nunca mostrado pela mídia na mesma medida em que divulgam intensivamente os crimes dos militares, como voltando a falar do assassinato de Stuart Angel Jones.
Então, temos uma "Comissão de uma verdade", a que interessa ao poder, e não uma "Comissão da Verdade", que interessaria a todo povo, a todas as vítimas indistintamente e a todos os historiadores sérios desse país. Até onde eu compreendo a História como disciplina investigativa, sempre na busca da verdade ou, pelo menos, da melhor versão para um fato ou evento, essa "comissão" não passa de uma vergonha!

PAULO ANDRÉ CHENSO é médico, professor e historiador em Londrina

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