Iniciada a campanha eleitoral que irá culminar com a escolha dos novos dirigentes do governo federal e estados, os olhos da nação devem se voltar para o futuro, sem descuidar do presente e passado. O exercício é buscar o diagnóstico e o aprendizado em nossa história para subsidiar propostas concretas que conduzam a uma mudança efetiva nos dias que virão.
Como primeiro passo, com vistas a transformar anseios em ações, é necessário despersonalizar um pouco esse debate. Muitos perguntariam, como assim? Não temos que votar em políticos que possam mudar esse quadro? Em parte, sim. Porém, o debate centrado no contraste entre as pessoas não é suficiente para chegar aos resultados que queremos.
No Brasil, a corrupção tem um forte ingrediente cultural. Desde o período da colonização, os desvios de verba, desperdícios e outros prejuízos resultantes da ineficiência, sempre nos acompanharam. Assim, acima das pessoas, há um ambiente propício à corrupção, formado por estruturas e mecanismos que favorecem os gestores mal intencionados e os fracos de caráter. Portanto, tornar esse ambiente mais hostil à corrupção é o nosso grande desafio. E aí, são necessárias ideias concretas para mudar esse contexto.
Aqui vai uma lista de temas que, creio, deveriam fazer parte do debate eleitoral: o fim das emendas parlamentares, que concorrem para a transformação de legisladores e fiscais da lei em meros despachantes de interesses paroquiais e endossadores do poder Executivo; a politização dos tribunais de contas, que, ao invés de exercerem o controle do gasto público, se transformam em moeda de troca com prefeitos por interesses eleitorais nos municípios, contribuindo para corromper o processo e eleger pessoas ligadas a conselheiros; escasso investimentos nos órgãos de auditorias, controle, correição e ouvidoria, que são responsáveis por ouvir a população, identificar problemas, realizar investigações e punir autores de mau feitos, sob perspectiva tanto preventiva quanto de correção de procedimentos facilitadores de desvios; transparência efetiva, o que significa colocar na internet dados e indicadores da gestão pública em formato acessível à população, não bastando despejar números e tabelas ininteligíveis em caminhos extremamente tortuosos; eliminar a figura dos suplentes de senador, que permite a eleição de legisladores sem voto; tornar ágeis e competentes os setores de fiscalização de obras e contratos, trazendo também para a internet os relatórios de fiscalização e os empenhos de pagamento, identificando nomes e responsáveis; colocar um limite às reeleições no Poder Legislativo, já que detentores de cargos têm mais facilidade para disputar eleições e a perpetuação no poder prejudica a sociedade, a quem interessa uma oxigenação e renovação de quadros; e, aproveitando o ensejo, eliminar privilégios que também prejudicam a gestão pública, como, por exemplo, os 60 dias de férias de que gozam juízes e promotores, num ato que desmerece a Justiça que pretendem alcançar, e que torna o Poder Judiciário algo como 10% mais lento do que se tivessem férias compatíveis com o restante da sociedade.
Essas são apenas algumas sugestões de ideias para serem debatidas, na certeza de que cada cidadão atento terá muitas outras para acrescentar.
Eleitor, seu candidato está tratando de pelo menos algum desses temas? Ou ele é do tipo que diz combater a corrupção apenas criticando os adversários políticos e defendendo que sua vitória irá resolver o problema?
Cuidado. A fila da corrupção anda. Se o seu candidato pertence à última categoria, há uma grande chance de continuarmos com os mesmos problemas de corrupção nos governos que iremos eleger!

FÁBIO CAVAZOTTI é jornalista em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

mockup