ESPAÇO ABERTO
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sexta-feira, 01 de agosto de 2014
Samir Cury 
São distantes os tempos em que Londrina recebia nossos pioneiros. Homens e mulheres atraídos por nossas terras férteis. Alguns, extremamente graduados; outros, homens simples, porém sábios e arrojados, cujo objetivo era desenvolver a cidade que os acolhera. Eram altruístas.
Vieram com sonhos, coragem, visão e conquistaram a respeitada liderança política. Criaram importantes instituições, geradoras de desenvolvimento, entre as quais destacamos a Sociedade Rural do Paraná e a Associação Comercial e Industrial de Londrina.
Surgiram os núcleos de criação e seleção das raças bovinas, estimulados por lideranças da Sociedade Rural do Paraná - berço das demais sociedades rurais do Paraná.
Londrina, trabalhadora e rica, com consistente modelo em ciência e cultura, se fazia conhecida no Paraná, no Brasil e no exterior. Seus líderes atraíram universidades, institutos de pesquisas, indústrias e, em especial, a competência da nossa construção civil.
Pela iniciativa de técnicos brasileiros, nasceu o embrião da nossa indústria de agroquímicos, que se transformou, no ano 2000, em grande multinacional.
Nossas fortes lideranças políticas, com ação ativa da Acil e SRP, conquistaram outras importantes instituições para a "Pequena Londres", como a Universidade Estadual de Londrina; o Instituto Agronômico do Paraná, a Embrapa, cooperativas regionais e empresas do agronegócio.
Qual era o perfil desses líderes pioneiros? Capazes, carismáticos, dedicados, idealistas, influentes, ousados, transparentes. Só fazia carreira pública aquele que conquistava a confiança em suas instituições. Não prosperava o "populismo" e, sim, a gestão voltada às necessidades da população.
Os eleitores de Londrina sempre foram extremamente exigentes. Londrina, nesse período, conquistou muito espaço na economia do Estado e União, galgando a posição de 5ª cidade mais importante do Sul do Brasil. Infelizmente, nos últimos anos perdemos o trilho da evolução política.
Londrina desacelerou e perdeu muitas empresas. Perdeu posições no "ranking". Estabeleceu-se a flagrante ausência de política de atração de empresas de tecnologia, quer na área industrial, quer na área de serviços - caracterizando um vazio de enriquecimento.
O Plano de Desenvolvimento Industrial (PDI) de Londrina - importante estudo realizado pela Andersen Consulting (1996), com a participação ativa da sociedade - mostrou-se prático e realista. Determinou, políticas de incentivo às empresas já existentes; políticas para atrair novas empresas, com a infraestrutura existente; adequação na infraestrutura para atrair empresas de ponta, entre outros. O "mal das gestões" (a descontinuidade) acabou "engavetando" o importante PDI - desconsiderando seu extraordinário interesse público.
E qual o perfil predominante dos líderes dos últimos tempos? Falta compromisso com ideários; com a educação; com a ética; com a transparência; com a formação dos cidadãos. Não têm projetos de desenvolvimento de médio e longo prazos; visam interesses pessoais. A maioria deles se constitui de pseudo líderes. Prevalece a política da troca de favores, a compra "oficial" de votos e o populismo infrutífero, que fere a dignidade do homem.
O que isso gera? Corrupção, impunidade, benefícios, vantagens de grupos, acolhimento de "amigos", privilégios.
Dizem: "A vaidade e os interesses pessoais, por vezes, falam mais alto que princípios". Infelizmente, é o que mais vemos. A falácia e a mentira se sobrepõem à verdade e a razão. Contra isto é preciso lutar. Não podemos perder a esperança. Cabe às associações organizadas a geração de novos líderes. O líder que não cria seu substituto, não liderou - apenas cumpriu parte da tarefa.
Este é ano de eleições. Saibamos escolher nossos líderes.
SAMIR CURY é engenheiro agrônomo em Londrina e ex-presidente da Sociedade Rural do Paraná
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