ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Junior Machado 
Nasce Londrina, os anos são os de 1930. Em meio às vastas plantações e comércio do café, a cidade desfruta de um crescimento populacional e econômico tão significativo que ganha status internacional com a alcunha de "Capital Mundial do Café". Nessa época não havia muitas regras, as decisões acompanhavam a revolução que cidade presenciava diante da grande imaginação e compromisso que seus pioneiros tinham com o desenvolvimento. A burocracia deturpada não era admitida nesse período. A burocracia era deixada aos leigos que precisavam de muito tempo para pensar, e o tempo era limitado diante das oportunidades. Tudo era novo e excitante, não havia técnicos com os conhecimentos modernos e nossa Londrina crescia de forma coletiva sobre normas simples e eficientes, ligadas a sua realidade.
A partir dos anos 1970, com o declínio do café, não apenas o perfil econômico mas também o político se altera gradativamente. Londrina ganha um perfil industrial e econômico regional, porém a política de governo esquece sua história de valorização do pioneirismo empreendedor que sustentou seus belos adjetivos até hoje.
Há anos que o sistema de gestão hasteia uma bandeira com os dizeres "trava Londrina" ao não aprovar o novo plano de zoneamento de nossa cidade. Leis descabidas inibem e elegem investimentos, a utilização do Estudo de Impacto e Vizinhança (EIV), instrumento necessário, se torna um sinônimo de incompetência, falta de uniformidade nos procedimentos, lentidão e exigências lúdicas não previstas nos textos regulatórios, muitas vezes interpretativos. Enfim, o pensamento coletivo não está mais presente, as decisões são articuláveis, irracionais e de interesses pessoais.
A burocracia do Executivo e Legislativo cria novas funções e órgãos de administração de elevada complexidade prometendo maior eficiência. Contudo, o resultado é a ineficácia política e imaturidade das decisões. Um cenário perfeito para corrupção é montado sobre os alicerces de uma "pseudo organização".
As retaliações às iniciativas privadas são comumente percebidas nas "caçadas aos alvarás", "cirandas das CEIs" e bloqueio a incorporações. Entre tantas outras invencionices,informações deturpadas, tendenciosas e sem nenhum critério são acatadas pelo Ministério Público. Neste momento, a "mentira" usa a seriedade desta instituição (MP), essencial à defesa da ordem jurídica e dos interesses sociais, e tenta se revestir de verdade até que se prove o contrário. Como diz um texto judaico: "As verdades podem ser nuas, mas as mentiras precisam estar vestidas".
A inversão de valores se torna uma constante e, mais inquietante que isto, é a ausência e perda dos princípios que formaram Londrina. O empreendedorismo é marginalizado por meio de um conjunto de medidas orquestradas para gerar um clima de insegurança altamente prejudicial ao desenvolvimento de nossa economia.
Fica aqui o questionamento e convocação, que tenho certeza, comungado por muitos: até quando? Chega! A sociedade deve se mobilizar com iniciativas de indignação e mudanças.
Devemos resgatar nossas origens e lembrar que, se a "letargia organizada" possui seus cúmplices, os comprometidos com o desenvolvimento e a verdade têm consigo sua moral e ideais.
Vamos resgatar a política de valorização dos empreendedores que, a exemplo dos nossos pioneiros, mantêm ainda hoje o arrojo e simplicidade das soluções que marcaram o início de nossa cidade. Sejamos as mudanças que queremos ver!
"O progresso é impossível sem mudança. Aqueles que não conseguem mudar as suas mentes não conseguem mudar nada." (George B. Shaw Prêmio Nobel de literatura em 1925)
MACHADO JUNIOR é técnico imobiliário e gerente comercial em Londrina
■ Os artigos devem conter dados do autor e ter no máximo 3.800 caracteres e no mínimo 1.500 caracteres. Os artigos publicados não refletem necessariamente a opinião do jornal. E-mail: opiniao@folhadelondrina.com.br


