ESPAÇO ABERTO
Orgulho ferido
Wanderley Rafael Marques
Vergonha, humilhação, tragédia. Estas são algumas definições do péssimo desempenho de nossos jogadores na derrota de 7 a 1 contra a Alemanha. Não entendo muito de futebol, mas é evidente que os 23 dos melhores jogadores que defendem uma das melhores seleções do mundo não deveriam ser derrotados desta maneira. Algo deu muito errado ou alguém cometeu um grande erro.
Antes de apontarmos o dedo, temos que analisar alguns números, um "tira-teima" rápido. No ranking mundial de educação, o Brasil é o 38º de uma lista de 40 países; em saúde somos 48º em uma lista de 48 países; em segurança somos o 51º em uma lista de 66 países; no ranking de IDH somos 85º em uma lista de 187 países, estamos logo atrás de Omã. Se voltarmos a analisar o esporte, na listagem de todas as medalhas das olimpíadas estamos em 37º, perdemos até para o Quênia. Concluindo: estamos tomando de goleada e sendo humilhados há muito tempo.
Não estou aqui para criticar o atual governo ou o anterior, pois acredito que essa situação vem de um acúmulo de erros de mais de 500 anos e não é em quatro anos que alguém vai resolver. Mas a verdade é que 200 milhões de habitantes, vivendo em um país com a extensão de um continente e rico em recursos naturais, com uma economia forte, um verdadeiro paraíso para qualquer povo está fazendo tão feio quanto os jogadores da seleção.
Estamos errando, falhando e vendo o tempo passar sem esboçar reação. Se nossos jogadores ficaram à mercê dos jogadores alemães, nosso povo é totalmente omisso diante do mundo. A vergonha e o orgulho ferido não se devem apenas àquele jogo. Mas de uma história inteira de desacertos. Nunca acreditei que a seleção seria campeã, mas aqueles meninos em campo não mereciam um fim daqueles. No entanto, tiveram coragem de sair de campo e pedir desculpas ao povo. Mas e nós aqui fora, os outros 200 milhões que não agem para melhorar a posição do Brasil diante de índices tão baixos, vamos pedir desculpas para quem?
WANDERLEY RAFAEL MARQUES é biólogo em Uraí.
Humilhados e ofendidos
Servio Borges da Silva
Após meses de preparação, de gastos insuportáveis para o País e de propaganda intensa na imprensa, a chamada "Copa das Copas" chegou ao fim. A expectativa criada em torno do hexa pelo Brasil era enorme. A seleção brasileira era a pátria do "País de chuteiras". Acabamos por perder a Copa por um placar elástico (7 a 1) nas semifinais para a Alemanha. Em apenas 28 minutos a Alemanha acabou com o sonho de milhões de brasileiros.
Entretanto, é preciso refletir sobre os aspectos que criaram essa catarse coletiva, bem como as circunstâncias que levaram um País de mais de duzentos milhões de habitantes a transformar uma disputa esportiva, bonita, saudável e eletrizante numa guerra de egos inflados e emoções.
Em que pese a enorme tristeza e abalo sofridos, o povo deve levantar a cabeça e meditar sobre os motivos e causas de tanta torcida. Quanto foi gasto para a construção das arenas de futebol? Que benefícios o Brasil teve ou terá com esses superestádios? Eram essas as prioridades do País para gastar tanto dinheiro ou temos outras mais urgentes?
A saúde do brasileiro é um caos; os hospitais não comportam mais as pessoas; a educação é precária, nossos filhos se formam e permanecem nas ruas à procura de emprego; a segurança quase não existe. O Brasil precisa, urgentemente, das reformas tributária, eleitoral e no Judiciário, dentre outras.
A maior humilhação é não termos uma educação decente; inflação; corrupção endêmica; obras superfaturadas; péssima distribuição de renda e as mentiras de nossos governantes. Por tudo isso, não fomos humilhados. Recebemos uma lição e temos que aproveitá-la. Fazer um país decente, com políticos honrados, administradores sérios e competentes. Uma mera disputa esportiva não deve levar homens e mulheres a se engalfinharem em brigas e desordens ou sofrimento desnecessários.
SERVIO BORGES DA SILVA é advogado em Londrina.
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