ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de julho de 2014
João Marcos Anacleto Rosa 
É indispensável, passado o vexame histórico, deixar sublinhado para a posteridade quem é o responsável maior pela queda abissal sofrida pelo futebol brasileiro.
Scolari, eis o homem!
Trata-se de técnico (?) ultrapassado, dotado de conhecimentos arcaicos, e desprovido de noções avançadas acerca de variações táticas e dos fundamentos que norteiam a prática do futebol de vanguarda.
Em corriqueiro (e execrável) teatro à beira do gramado, gesticulando de modo desordenado, tem o hábito de tentar demonstrar que está cabalmente ciente acerca do que se passa no campo e de que detém plena autoridade/influência sobre seus atletas.
Depois de trabalhar no Uzbequistão (!), rebaixar o tradicional Palmeiras, ser rechaçado pelo Chelsea, obteve o inconcebível galardão ser o treinador do time canarinho na tão aguardada "Copa das Copas".
Ora, um dia haveria de cair a máscara. Quis a História, infelizmente, que o dissabor emergisse da pior forma e na ocasião mais inesperada possíveis, isto é, no momento decisivo de uma Copa do Mundo realizada em nosso próprio solo, 64 anos depois de tamanha espera.
Felipão é o retrato nítido do profissional que não se atualiza, do funcionário que não se aperfeiçoa, do indivíduo que não se recicla. Acreditando piamente que seu estéril estilo baseado na autoajuda lograria êxito, imaginou que sua intuição consistiria no suficiente para superar trabalho, competência, determinação, planejamento. Grande equívoco, por óbvio.
Há que se colocar, então, os pingos nos is. O que aconteceu no já maldito fim de tarde de 8 de julho de 2014 (e reiterado na disputa do terceiro lugar) configura a mais despudorada infâmia, a vergonha maior sofrida pelo futebol brasileiro, em toda a sua história. O artífice principal da derrota, há que ficar calcado em mentes e corações, foi o inoperante "comandante" de bigode, o gaúcho metido a ranzinza que merece ser, perpetuamente, censurado.
Submeteu, na semifinal, o país a um verdadeiro pesadelo, ao querer, com esteio em seu motivacional barato, a um "vamos que vamos" de quinta categoria, enfrentar de peito aberto equipe melhor preparada, uma seleção ótima composta por jogadores do mais alto gabarito.
Ao invés de, como qualquer treinador de equipe juvenil faria, compor corretamente o meio de campo, aparelhar adequadamente a zona mais relevante do gramado, e preparar seus atletas para defender-se minimamente das investidas do inimigo, optou por colocar um garoto (Bernard) que mais parecia uma criança em meio a adultos, escolheu enganar a imprensa antes do embate para tentar confundir o oponente.
Repreensão perene merece o culpado supremo pela derrocada de nosso esporte predileto.
Com efeito, interessante é o antigo ditado assinalando que a burrice a todos é permitida (ineptire est juris gentium a inépcia é um direito de todos). Todavia, convenhamos, só não se esperava imperícia de um técnico de futebol que aufere rendimentos mensais superiores a presidente de multinacional, que bravateia como se fosse o maioral, que concede entrevistas com a empáfia de um semideus.
O Brasil agora chora, é inegável, também por falhas dos jogadores e inoperância dos dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Porém, a responsabilidade precípua é do comandante, do líder, do chefe.
Recebe, pois, Felipão, o ônus que lhe cabe. Suporta, ad eternum, o fardo que lhe diz respeito. Assume, com justiça, a pecha de culpado que, durante décadas, injustamente foi conferida ao arqueiro Barbosa.
JOÃO MARCOS ANACLETO ROSA é especialista em Direito Civil e Processual Civil e juiz de Direito em Londrina
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