ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de julho de 2014
Norman Neumaier 
A pomba-de-bando Zenaida auriculata, "amargozinha", como é mais conhecida na região de Londrina, é uma ave da família Columbidae. Os indivíduos dessa espécie podem viver por cerca de 6 anos. É uma espécie muito prolífica, cujas fêmeas podem produzir de 4 a 5 ninhadas por ano, com 2 ovos cada. Possui metabolismo acelerado e, por ser voraz, produz grande volume de fezes. Causa danos à agricultura e muita sujeira, principalmente nos locais onde dorme. Transmite doenças, ácaros, piolhos e parasitas intestinais. Quando invade as lavouras e as cidades, essa espécie constitui uma praga.
Ultimamente, a sociedade londrinense tem-se mobilizado para apoiar o poder público na busca de solução para o problema. A sociedade almeja ações mais efetivas do que apenas as mutiladoras podas de árvores, visando à redução das áreas de refúgio para essas aves ou as lavagens periódicas das áreas de calçadas ou pavimentos que recebem diariamente o bombardeio de fezes desses animais, na tentativa de amenizar o problema.
Faz-se necessário desenvolver uma estratégia ampla, onde o problema possa ser atacado concomitantemente em várias frentes, para que as ações adotadas possam gerar sinergia. Essa estratégia deve envolver o manejo da população de pombas, contemplando uma série de ações integradas e focadas na solução do problema. Não se pretende acreditar que as ações aqui sugeridas sejam obrigatoriamente as melhores ou únicas, e nem é o objetivo detalhar cada ação, mas sim, apresentar a ideia geral do manejo das pombas, para análise, debate, correção, aprofundamento e melhorias.
Dentre as possíveis ações para a adoção do manejo, indicam-se: 1) formação de um grupo de entidades e cidadãos para constituir um foro de busca da solução do problema; 2) conscientização do poder público e da sociedade em geral, por esse grupo, de que a pomba é uma praga e que o problema deve ser tratado sem sentimentalismos, visando sua solução definitiva; 3) conhecimento do problema (dimensionamento populacional, identificação dos locais de oferta abundante de alimentos, sazonalidade, entre outros), para que a tomada de decisões seja embasada em dados concretos; 4) definição de limites populacionais aceitáveis, com posterior captura e abate do excesso populacional e monitoramento contínuo, com vistas à manutenção desses limites; 5) eliminação/diminuição/controle das fontes de alimento; 6) prospecção e uso de métodos de controle populacional bem-sucedidos em outras cidades; 7) proteção aos inimigos naturais e predadores e; 8) continuidade das ações de manejo por tempo indeterminado.
Certamente, um programa de manejo integrado não é uma ação pontual, nem no espaço, nem no tempo. O conceito do método pressupõe abrangência na dimensão espacial e continuidade na dimensão temporal, para que seja possível analisar os resultados e efetuar os ajustes necessários, tanto nas próprias ações, quanto na intensidade das mesmas, com vistas à manutenção da população de pombas em níveis aceitáveis. Mesmo pressupondo-se um conjunto de ações integradas, a maioria das ações necessita ser implantada uma a uma. O que se espera é que, sejam complementares umas às outras. Assim, o resultado de uma deverá potencializar o resultado das demais, obtendo-se, ao final, o esperado resultado sinérgico e, eventualmente, a solução do problema.
Para tal solução, inquestionavelmente, tanto o poder público quanto a sociedade em geral deverá assumir a responsabilidade de empreender ações de longa duração ou, muito provavelmente, permanentes. O que se almeja é que, em um futuro não muito distante, o cidadão londrinense possa desfrutar de uma cidade livre do problema e que Londrina sirva de modelo a outras cidades com problemas semelhantes.
NORMAN NEUMAIER é PhD em Agronomia e pesquisador em Londrina
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