ESPAÇO ABERTO
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segunda-feira, 07 de julho de 2014
Maria Angelica B. Moura 
Somente em 2014, quase 60 mil novos casos de câncer de mama serão diagnosticados no Brasil, com aumento de 15% em relação ao ano passado. Entre estes casos, a estimativa é que 20% das pacientes tenham menos de 50 anos. Mesmo diante desta realidade, o Ministério da Saúde lançou a portaria 1.253/2013, que restringe o repasse de verbas da União aos municípios apenas para realização de mamografias em pacientes na idade entre os 50 e 69 anos. A mesma portaria admite a mamografia unilateral exame realizado em apenas uma das mamas quando são identificadas alterações na mesma. Este procedimento pode comprometer o correto diagnóstico, visto que apenas a análise simultânea das duas mamas permite comparar as alterações encontradas e, assim, garantir um laudo confiável.
Reportagem publicada pela Folha de Londrina no dia 22 de maio revela que as mudanças nas regras do Ministério da Saúde já causam impacto em Londrina. Os gestores municipais de saúde criaram uma qualificação da demanda que inclui exigência de indicação médica para que o exame seja realizado. Outra medida, conforme a reportagem, foi a redução no número de mamografias ofertadas nas clínicas credenciadas.
O mesmo texto destaca que a dúvida sobre o melhor público a ser coberto pelo exame existe em vários países, porém, em todos eles, as sociedades médicas de especialidades preconizam que seja disponibilizado às mulheres a partir dos 40 anos. Há consenso de que quanto maior a faixa etária atendida, maior o número de casos diagnosticados. Equipamentos modernos de radiografia de mamas são capazes de detectar tumores menores que um centímetro, que ao serem tratados apresentam grandes chances de sobrevida às pacientes.
A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) também recomenda realização da mamografia preventiva a partir dos 40 anos. Estudos apontam que esta medida pode reduzir a mortalidade do câncer de mama em até 35%. Além disso, com o diagnóstico precoce, as chances de cura podem chegar a 95% dos casos.
Diante da importância dos exames preventivos em mulheres mais jovens, o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) apoia o movimento #mamografiaapartirdos40 Direito e dever de toda mulher, lançado recentemente pela SBM. A ação pertence à campanha "Eu amo meus peitos", criada pela entidade para exaltar os cuidados com a saúde da mama e disseminar informações sobre a prevenção do câncer. A ideia é enfatizar a importância para as mulheres de realizar, anualmente, a mamografia a partir dos 40 anos, o que é primordial para a saúde.
O presidente da SBM, dr. Ruffo de Freitas Júnior, faz um alerta para que os médicos continuem solicitando a mamografia de rastreamento para pacientes a partir dos 40 anos e não aceitem a chamada mamografia unilateral.
A responsabilidade dos especialistas é educar e informar a sociedade sobre os procedimentos mais corretos e seguros em prol da saúde preventiva. E a mamografia é um instrumento de extrema importância, tendo reflexo na redução de cirurgias mutiladoras (mastectomias), diminuição de sofrimento e melhor qualidade de vida da paciente após o câncer.
MARIA ANGELICA B. MOURA é radiologista em Londrina
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