ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Mário Jorge Tavares 
Tenho lido e participei das duas primeiras consultas públicas para tentar contribuir sobre a questão da superpopulação de pombos (principalmente da Zenaida auriculata - as famigeradas "amargozinhas"). Não sou especialista da área, mas a vida me ensinou que devemos ser pragmáticos e não desperdiçar recursos e tempo com divagações sem fim, quando o assunto está mais do que maduro (no caso, chegando até a resultar em pertinente manifestação do nosso querido Monsenhor).
Um médico, por exemplo, se der maior atenção aos possíveis efeitos colaterais de um remédio, em vez de ter foco e prescrever o mais indicado em tempo hábil, acabará deixando o paciente correr risco de morte.
Pesquisando na internet, consta que a superpopulação de pombos pode resultar em inúmeras doenças, dentre as quais, criptococose, encefalite, dermatites, alergias respiratórias. Sem esquecer que tais pombos são hospedeiros de piolhos, percevejos, ácaros, carrapatos e pulgas. Suas cujas fezes, além da sujeira, exalam cheiro insuportável e, por certo, são carregadas pela água pluvial para as galerias e, em última instância, para as estações de tratamento de água.
Aprofundando a pesquisa, procurei saber que soluções países e cidades do primeiro mundo têm adotado. Concluí, salvo melhor juízo, que a solução com melhor índice custo-benefício é a de reduzir a ovulação dessas pombas de bando que põem, via de regra, 4 a 5 vezes ao ano dois ovos e têm vida média de 7 anos.
Além disso, comem muito e possuem metabolismo mais acelerado do que os pombos domésticos (Columba livia), por isso, provocam tanta sujeira onde se concentram.
Para solucionar o problema, pesquisadores desenvolveram anticoncepcional veterinário específico. Segundo entidades de pesquisas independentes, como o Pigeon Control Resource Centre, os resultados foram positivos sobre tal prática que tem sido adotada em cidades italianas, austríacas, portuguesas e norte-americanas como em Hollywood, dentre outras.
Pelo que li, os que têm sido mais indicados são os contraceptivos norte-americanos OvoControl P e Ornitrol, que são distribuídos em recipientes adequados deixados próximos das sementes de mato em chão quente, quirela, migalhas de pão, farelos, arroz, milho, trigo e soja, etc., em bordas de florestas, cerrados, agropecuárias, áreas suburbanas e mesmo nos quintais e ruas. Finalmente, visando subsidiar decisão de quem de direito, consultei informalmente um desses fabricantes se aceitariam eventualmente fazer um projeto piloto sob supervisão de autoridades municipais e institutos de pesquisa da região de Londrina, tendo tal fabricante sinalizado positivamente.
Não querendo polemizar, penso que chegou o momento de deixar-se de discutir os "sexos dos anjos" e deixarem-se teorias mirabolantes e utópicas e, com humildade e espírito desarmado, se partir para a ação, afinal a superpopulação de pombos a quem interessa?
Por certo, tal experiência piloto, se implantada na região de Londrina, seria um importante "case" nacional. Finalizo lembrando um interessante pensamento de Benjamim Franklin: "Pessoas que são boas em arranjar desculpas raramente são boas em qualquer outra coisa".
MÁRIO JORGE TAVARES é administrador em Londrina
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