ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de junho de 2014
Ana Kelly Vasconcelos 
Quilombos: ontem e hoje
Ana Kelly Vasconcelos
Quando se fala em quilombo no Brasil, a maioria das pessoas logo imagina o Quilombo dos Palmares e Zumbi, herói nacional, símbolo de uma luta incansável pela defesa do direito à liberdade humana. Entre os séculos 16 e 19, quilombos foram marcos de resistência que agrupavam negros escravizados que decidiram se rebelar e fugir para lugares escondidos, onde pudessem preservar seus elementos culturais, étnicos e religiosos. A lei de 13 de maio de 1888 marcou, oficialmente, o fim da escravatura no País e, desde então, a luta contra o preconceito, assim como a tentativa de afirmar a identidade afrodescendente no contexto brasileiro, são manifestas de diversas formas.
Uma delas foi a criação da Fundação Cultural Palmares, em 1988, que atua diretamente nas questões de preservação da cultura afro-brasileira como também na titulação das terras, juntamente com o Incra. A ideia, promulgada no artigo 68 da Constituição de 1988, é de garantir a tais grupos a oportunidade de se autorreconhecerem como remanescentes de escravizados e poderem buscar a titulação das terras que ocupam.
Alguns Estados organizaram comissões de estudo que pesquisam os aspectos históricos, culturais, econômicos e religiosos desses grupos e buscam garantir que a lei seja cumprida. Mais de dois mil quilombos em todo o Brasil já receberam certificados de autodefinição. Entretanto, o número das comunidades que possuem a titulação de suas terras ainda é reduzido. De 2.187 comunidades certificadas, não chega a 200 o número das que têm a titulação. Apesar de essas comunidades possuírem seus elementos particulares, a identidade cultural quilombola é construída a partir da ligação com a terra, da preservação da herança afrodescendente e de serem remanescentes de escravizados. Entender a luta dos quilombolas é fundamental para entendermos a situação do negro no Brasil.
ANA KELLY VASCONCELOS é mestranda no programa de Ciências da Religião na Universidade Mackenzie em São Paulo
Envelhecimento é uma doença?
Walmor Macarini
José Luís Cordeiro é um cientista venezuelano bem conhecido. Fundador da Singularity University, localizada no Vale do Silício, EUA, ele diz que o envelhecimento é uma doença. E curável. Convivendo em meio às principais empresas de tecnologia do mundo, ele faz palestras sobre os avanços tecnológicos e recentemente esteve no Brasil falando no quadro de debates abertos do Senado. Será a morte da morte, ele diz, afirmando que o ser humano não veio ao mundo para morrer e sim para durar, em sua estrutura carnal. Afirma que a aplicação prática dessa biotecnologia acontecerá já nestas décadas próximas, e a partir daí o homem estacionará numa idade de 20 anos. Certamente, os já avançados em anos não serão contemplados e sim os que irão nascer doravante.
Ele fala de outros avanços, afirmando que hoje existem computadores que já pensam melhor que o cérebro humano, e que em 2025 não saberemos distinguir entre um e outro, quanto à capacidade. Estamos passando de um processo de manufatura para o de "mentefatura", ele declara. Exemplificando com a velocidade de como a ciência e a tecnologia progridem, demonstra que a um ano atrás o mapeamento de caracteres genéticos - o genoma - custava um milhão de dólares e demorava 13 anos para ficar concluído. Hoje o serviço já é oferecido por mil dólares e feito em cinco dias. Em breve custará cem dólares e será entregue em uma hora.
Há alguns anos - exemplifica - utilizávamos grandes disquetes para armazenar 1 kb, e hoje existem pen drives que armazenam 128 GB e medem uma polegada. No futuro, graças à tecnologia, todo o lixo será aproveitável, portanto, deixará de existir em monturos e será matéria-prima de elevado valor (uma parte já está sendo reaproveitada). A biotecnologia poderá fazer animais extintos retornarem à Terra, ele diz. E algo ainda mais arrepiante: que a fala será um mecanismo obsoleto e cairá em desuso, porque nos comunicaremos por telepatia. Significa que não haverá mais mentiras, porque iremos ler os pensamentos alheios.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina
■ Os artigos devem conter dados do autor e ter no máximo 3.800 caracteres e no mínimo 1.500 caracteres. Os artigos publicados não refletem necessariamente a opinião do jornal. E-mail: opiniao@folhadelondrina.com.br


