'Amar é...' Sylvio Schreiner
Sylvio do Amaral Schreiner


É impossível fazer alguém nos amar e nem mesmo podemos nos obrigar a amar alguém, já que o amor não tem como nascer da obrigação e do controle. O amor implica em consideração, carinho, desejar o bem, querer estar junto e todas essas coisas não têm como ser controladas. O amor consiste, acima de tudo, de delicadeza. Sem esta o amor não tem como sobreviver e morreria sufocado. Portanto, não há receita certa para o amor, apenas podemos compreender que ao ser delicado a possibilidade de atrairmos o amor é maior.
Amar é uma das coisas mais importantes da vida e que dão a ela um sentido. Entretanto, o amor não vem de graça, mas depende de uma série de atitudes que temos para conosco e para com a vida. Exatamente por isso o amor é tão delicado e precioso. Amar está ligado à autoestima. Só quando uma pessoa se gosta e se respeita é que cria condições para o desenvolvimento do amor. Quem espera primeiro ser amado para depois se sentir com autoestima obriga o amor a dar o que não foi conseguido por si próprio. Ou seja, é um engano.
Mostrar um interesse amoroso a uma determinada pessoa é um processo que requer respeito ao outro. Assim o outro terá tempo e espaço para digerir o que está acontecendo e também para quem mostra o sentimento ir levando em consideração se é isso mesmo que quer. Muitas vezes achamos que tal ou qual pessoa é nosso príncipe ou princesa encantados, mas nos iludimos e nos apaixonamos pelo que imaginamos e não pelo que de fato existe. Nada pior do que viver iludido e investir tanto em algo que não tem consistência.
Amar também não implica insistir com alguém que não mostra o menor interesse por nós. Aliás, a insistência é uma rudeza e pode fazer com que surja um sentimento de desagrado e repulsa. Devemos encarar e aceitar a realidade de que se alguém não se sente atraído por nós o melhor a fazer é abandonar a ideia para que nos preservemos. Talvez não seja mesmo aquela pessoa, mas ao mantermos nossa autoestima salva nos colocamos disponíveis para que algo verdadeiro possa nascer e se desenvolver. O amor, além da delicadeza, também requer tempo e paciência.

SYLVIO DO AMARAL SCHREINER é psicoterapeuta em Londrina.




'Greve de cidadãos' Luiz Podzwato
Luiz Podzwato


Vamos fazer uma paralisação geral. Isso mesmo. Minha sugestão é que nós, como cidadãos, façamos uma greve geral. Não me refiro a parar de trabalhar ou prestar os serviços à população. Eu me refiro a parar de pagar impostos, tarifas absurdas, parar de ser escravo do sistema que nos impõe taxas e mais taxas, burocracias e mais burocracias, e nos devolve muito pouco do que contribuímos. Somente neste ano já passamos, e continuamos passando, por greves dos mais diversos segmentos: policias, funcionários do transporte coletivo, hospitais, creches, servidores públicos, bancários, colaboradores que trabalham em obras para a Copa do Mundo, professores, além de várias "operações padrão" que não passam de greves com apelidos.
Se comentarmos só a educação, temos a impressão que o governo acredita, de verdade, que ela resolva, por si só, todos os problemas sociais do País. Mas como isso pode acontecer se o investimento no setor é aquém do necessário? Para dar um exemplo, entre os 65 países avaliados pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), o Brasil ficou com o 53º lugar. O Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) divulgou recentemente que 731 mil crianças ainda continuam fora da escola. Isso sem mencionar o piso salarial dos docentes da rede pública, que é muito baixo.
E, falando em transporte e mobilidade, que nos afeta diretamente, temos em andamento várias obras, reformas, dinheiro público sendo gasto, impostos sendo cobrados e o caos instalado. Não há um curitibano que dirija diariamente na cidade e que não esteja absolutamente irritado com o trânsito. É uma morosidade total, uma falta de compromisso com cronogramas e prazos, com a moral e imagem do País e sem preocupação alguma com o contribuinte.
Então, a minha proposta é que os cidadãos entrem em greve com o sistema. Que deixem de pagar impostos, que não paguem o valor que o governo taxa em cima de qualquer produto que é comprado, que as empresas não tirem do bolso o alto valor mensal destinado aos cofres públicos e nem repassem essa quantia ao consumidor. Claro que a minha proposta é hipotética, apenas para provocar uma reflexão: em uma situação como essa, mudando os lados, o que o governo faria?

LUIZ PODZWATO é superintendente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Paraná (Setcepar).

• Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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