"Homem e mulher Ele os criou" (Gn 1,27).

A tendência de certos expoentes da política sociocultural de nossos dias está impregnada de uma confrontação com correntes da Psicologia ou da Antropologia que interpretam a especificidade dos sexos como um problema de papéis, determinados fundamentalmente apenas por fatores culturais. É evidente a influência sociocultural resultante do ambiente, da educação e da história individual de cada pessoa.
A especificidade do homem e da mulher já está inscrita profundamente na própria natureza de ambos. Não foi inventada por ninguém deste planeta como algo descartável ou passageiramente acidental.
O ser homem ou mulher, sem dúvida, marca - dentre outros fatores - necessariamente o aspecto e a constituição do corpo humano. Na dimensão psicológica é impossível negar que há aspectos e expressões diversas, bem características do ser masculino e o ser feminino.
Ser homem e ser mulher não é um mero acaso ou simples acidente na vida da criatura humana. Isso pertence indissoluvelmente à essência de ambos os participantes da comum humanidade e igual substância.
A pessoa humana é sexuada desde a ponta dos cabelos até a unha dos pés, não apenas por ser portadora de órgãos genitais. A abrangência de tal realidade vai muito além. Perpassa todas as dimensões do seu ser, quer físicas, afetivo-sentimentais ou espirituais. Quando tudo se integra resplandece beleza e harmonia.
Homem e mulher são realidades criadas de modo sábio, autônomo, digno e intransponível, destinados a se aliarem como companheiros em uma reciprocidade de amor e de respeito. Esta unidade não é a de um círculo, mas a de uma elipse bipolar. Tal afirmação, porém, não exime a ninguém da compreensão e da aceitação de certos percalços que possam ocorrer no DNA de indivíduos por inculpáveis circunstâncias singulares.
Confundir, transmudar ou desvirtuar a natureza humana como "mera questão ou opção de gênero" significa regresso da humanidade, pobreza de critérios e ignorância da sábia ordem natural do universo criado por Deus.
A família é e sempre será a célula-mãe da sociedade, fruto da união de amor entre um homem e uma mulher. Nela nascem, crescem os filhos amados e cuidados em todas as dimensões do seu frágil ser. É na harmonia de um lar provado e comprovado no amor conjugal sadio e forte, constituído segundo a ordem do ser humano desejado por Deus, que se formam e educam-se personalidades firmes, ternas e doadas. Assim, somente assim, surge a sociedade equilibrada, feliz, capaz de discernir e apreciar os valores autenticamente humanos.
Então, brotam as energias e surgem também as motivações que ornam a dignidade da pessoa com o mais belo e nobre humanismo. Quem crê na verdade inscrita na natureza humana, quem cultiva e se realiza na sua verdadeira identidade é capaz de autoestima, de amar verdadeiramente, de lutar e de vencer crises e obstáculos em busca da autêntica e merecida felicidade.
Bem, somos meras criaturas, não deuses donos do nosso prazer e destino final.

IRMà MARIA FERNANDA LUIZA BALAN é ex-assessora da Comissão Nacional da Vida e da Família da CNBB e do Instituto das Irmãs de Maria de Schoenstatt – Colégio Mãe de Deus de Londrina

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