Yes! Temos e somos bananas! Verdes e amarelas! Da grande família das Musáceas (embora o Scolari insista ser sua). Nossa forma: cilíndrica, revestida de casca alongada, de secção subtriangular.
Sim, um país de bananas. E às pencas!
E que macacos nos mordam! E mordem. De todos os lados: CBF, Fifa, governantes, grande mídia, empreiteiros. E engolem-nos. Com a mesma volúpia do Dani Alves (aliás, bela iniciativa; só faltou dar um destino adequado à casca).
Mesmo sendo um bom banana, algo me dói: pago a festa e dela não posso participar diretamente. Assim como milhões de brasileiros, que apreciarão aos jogos da Copa mais cara da História pela TV, posicionando antenas, fazendo "gatos" e churrasquinhos, vez ou outra tirando um selfie para se mostrar feliz.
Por mais que escorregue entre uma dúvida e outra, algo me conforta: tenho a Globo como aliada; ela me fará acreditar que sou um banana feliz por poder torcer. Obrigado, Galvão.
Resistirei ao descaso. Afinal, como um bom banana, sou rico em amido. Ademais, me ensinaram ideologicamente: "Cada macaco no seu galho".
A Copa de 2014 sairá. Não sei quais consequências deixará. A vitória em campo da "amarelinha" pode encobrir mandos e desmandos, assim como pode vir a esconder as contas e os desvios.
Caso a nossa Copa não seja vencida pelos patriotas bananas e continuemos no penta, alguns de nossos problemas poderão se aprofundar, tais como a falta de clareza organizacional e o desencantamento ainda maior de nossa juventude com os assuntos políticos e com a prática esportiva envolvida. Mais: a terra dos bananas pode ver proliferada ainda mais os atos de corrupção, a ser visto como um mal enraizado e sem solução.
Meus caros bananas, torçam e contorçam. Com cuidado. Afinal, não temos tantos hospitais. Lembrem-se: caso vençamos, hexa é com x (sabe como é, vale destacar que investir em educação nunca foi nossa prioridade).
Meus nanicas, prata, ouro, maçãs, bananas da terra, talvez nos perguntemos: para que e para quem serve e já serviu o futebol? Como essa prática enraizou-se tão violentamente na alma do povo brasileiro? Alguns prontamente responderiam: alienação, prática simbólica da socialização, teatralização da vida social, encenação abstrata da guerra... Parece-me pouco.
E para que e para quem serve mais uma Copa realizada no Brasil? Afinal, Salvador continuará sofrendo com surtos de dengue, Recife com a grande violência urbana, Cuiabá com a seca e com as queimadas, Brasília com sua fantástica taxa de desemprego, Fortaleza com seus ínfimos índices de saneamento, Manaus com a malária, Rio de Janeiro com a poluição, São Paulo com seus congestionamentos, Porto Alegre com seu abastecimento crítico de água, Curitiba com seus aterros sanitários agonizando, Natal com sua falta de estrutura hospitalar mínima e Belo Horizonte com o tráfico de drogas.
Que abacaxi! E falando nisso, sugiro uma sobremesa: banana com "canela". Afinal, é futebol. Nada mais sugestivo.
Ah, ia esquecendo: meus black blocs, caso resolvam se manifestar, cubram-se com o verde e amarelo. É mais patriota.

AGNALDO KUPPER é professor em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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