ESPAÇO ABERTO
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sexta-feira, 16 de maio de 2014
Dom Orlando Brandes 
Os sinais de santidade na vida do jovem Carlos Wojtyla (Lolek) são claríssimos. Gostava do silêncio e da oração, desde cedo foi coroinha, visitava o mosteiro dos carmelitas, frequentava os santuários marianos junto com seu pai. Aos 9 anos perde a mãe e fez uma poesia onde escreveu: "Mãe, meu amor que desapareceu".
Um fato que marcou definitivamente sua vida era ver seu pai ajoelhado todas as madrugada rezando.
Fez a experiência da morte do seu irmão Edmundo e do pai. Ficou sozinho e consagrou-se a Maria. Queria ser carmelita.
Tinha o hábito de visitar o cemitério, e confessar-se regularmente.
Trabalhava quebrando pedras na fábrica Solvey em Cracóvia e costumava rezar ajoelhado sobre pedras nas horas de folga, era ridicularizado pelos colegas, mas permanecia firme.
Voltando do trabalho foi atropelado na estrada. Percebeu que uma mulher o protegeu. Confessará mais tarde que esta mulher era Maria.
São João Paulo 2º é um santo moderno: fez grandes amizades, amava a natureza, praticava esportes, gostava de esquiar, escreveu belíssimas poesias, foi compositor e ator de teatros, amava a música.
É um santo poeta, escritor, teatrólogo, músico, líder da juventude. Todas estas qualidades ele as colocou na oração e ofereceu tudo para a glória de Deus.
A humanidade inteira intuía a santidade do papa João Paulo 2º. Nós no Brasil o apelidamos de "João de Deus".
De fato Deus o santificou com as atrocidades da guerra, com a perseguição nazista, com o regime comunista.
Fez os estudos eclesiásticos clandestinamente no arcebispado de Cracóvia até ser enviado para Roma, onde se doutorou em São João da Cruz. Deus guiava providencialmente seus caminhos.
Deu sinal claro de santidade quando voltou de Roma já doutor em Filosofia e Teologia e foi destinado para ser vigário paroquial numa região rural devastada pela guerra. Para lá chegar, andou de ônibus, depois de carroça e os últimos quilômetros a pé, colhendo sementes de trigo na roça por onde passava.
Lembrou-se de Santo Inácio de Antioquia e rezou: "Sou trigo de Cristo". Um cachorro veio encontrá-lo e o acompanhou até a casa paroquial. Ali, antes de entrar, ajoelhou-se e beijou o chão.
Comprovou ser santo, diariamente diante do sacrário e da palavra, totalmente submetido a Maria, decididamente entregue a cruz. Pacientemente sofreu o atentado na Praça São Pedro, e rezou pelo atirador: "Eu perdoo de coração ao irmão que me feriu".
Ao iniciar o almoço com os bispos do Regional Sul 3ª e Sul 4ª perguntou: "Como vão os boias frias?". Amava os pobres e lutava pela justiça.
Os ativistas do aborto, as feministas, os gays, os defensores do marxismo na teologia, a explosão dos escândalos de pedofilia de alguns filhos da Igreja, foram espinhos e cruzes que suportou sempre sob o olhar da divina misericórdia. Pediu várias vezes perdão pelas falhas e pecados da Igreja.
Eis alguns dos sinais de santidade de São João Paulo 2º, santo dos operários, dos jovens, dos artistas e esportistas, das famílias, dos doentes, dos missionários, dos pobres, dos encarcerados.
Eis o santo dos tempos modernos e atuais "cigano de Deus, devoto da dignidade humana, mendigo da paz." São João Paulo 2º, rogai por nós.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina
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