ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de maio de 2014
Flávio Montenegro Balan 
Há 80 anos, homens e mulheres vindos de diversas partes do mundo se encontraram para construir uma cidade. Onde há confiança, existe desenvolvimento. Londrina se tornou realidade porque havia laços de confiança entre as pessoas e as instituições.
O espírito de confiança uniu os nossos pioneiros e inspirou a construção da cidade. Tudo começou por iniciativa de uma empresa a Companhia de Terras Norte do Paraná que honrava seus contratos e tinha um ousado plano de desenvolvimento regional. Assim nasceu Londrina: na base da confiança e da ousadia. Alguns não gostam desta origem empresarial, mas constituem uma pequena minoria. Até hoje, a maioria absoluta da população londrinense tem espírito empreendedor.
Nos anos 70, com o fim do ciclo do café, a cidade teve o desafio de diversificar suas atividades econômicas. Com arrojo e autoconfiança, Londrina se reinventou. Hoje somos uma referência em serviços, comércio, construção civil, saúde, educação, tecnologia, comunicação, cultura. Podemos avançar muito mais, principalmente no setor industrial, mas precisamos de ousadia e celeridade. Londrina não possui uma cultura industrial há mais de 30 anos. Isso precisa mudar. Um dos passos já foi dado: a criação da Agência Londrina de Desenvolvimento, que irá definir o perfil econômico da cidade e planejar o seu desenvolvimento para as próximas três décadas.
A política também precisa acompanhar o progresso da cidade. Ao invés disso, nos últimos anos foi criado um clima de desconfiança entre a população e os poderes públicos. Graças às empresas e instituições, a cidade não parou. Mesmo com períodos de turbulência política marcados por denúncias, escândalos, cassações e até prisões , Londrina seguiu trabalhando e produzindo.
O maior desafio da atual administração municipal é fazer Londrina voltar a ser uma sociedade da confiança. Temos honestidade, bons propósitos, gestores qualificados. Mas é preciso mais: é preciso ousar. Chegou a hora de eliminar os entraves burocráticos que afastam investidores, desencorajam empreendimentos e chegam ao cúmulo de criminalizar a atividade empresarial.
Não podemos deixar que Londrina se torne uma cidade conhecida por perseguir empresas e empresários. A lei foi feita para as pessoas, e não as pessoas para a lei. Os alvarás foram feitos para as empresas, e não as empresas para os alvarás. A legislação deve proteger, e não punir os investidores. Tudo que a cidade menos precisa agora é ver seus empresários acossados por patrulhas ideológicas. Esses que insistem em criminalizar o setor produtivo são maus londrinenses, que não têm fé na cidade. É a minoritária, porém ruidosa, turma do "quanto pior, melhor".
Vamos fazer Londrina avançar. Queremos facilitar a instalação de micros e pequenas empresas, liberando-as da necessidade de fazer o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV). Propusemos a centralização de licenças e alvarás em um só setor da prefeitura. E lutamos para que Londrina ganhe o Instituto Senai de Tecnologia obra de imensa importância social, que se encontra parada por dificuldades burocráticas.
Todas essas iniciativas dependem não só da ousadia dos investidores, mas também da confiança deles para com as lideranças locais. Londrina precisa voltar a confiar em si mesma. O prefeito Alexandre Kireeff e sua equipe terão nosso incondicional apoio sempre que se dispuserem a enfrentar as milícias do atraso e os paladinos da burocracia. A Londrina pioneira nasceu como empresa e como empresa está sendo gerada a Londrina do futuro. O momento é agora!
FLÁVIO MONTENEGRO BALAN é presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina
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