ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Paulo Henrique Martinez 
A capacidade de comunicação e de interação cultural caraterísticas dos museus é destaque na Semana Nacional de Museus neste ano. Entre ontem e o próximo domingo instituições museológicas, centros culturais, universidades, profissionais e estudiosos de museus estarão dedicados a promover maior aproximação entre os museus, o público e as variadas coleções que guardam e expõem com regularidade.
Todas as cidades poderiam ter museus. As experiências sensoriais proporcionadas nos museus são, inegavelmente, a grande particularidade desta instituição que nasceu de uma costela do movimento de valorização do humanismo, da arte, da ciência e da técnica, conhecido, na Europa, como o Iluminismo. A proximidade e o contato frequente da sociedade com as aventuras do espírito humano seriam buscados como exercício inescapável da cidadania, da identidade nacional e da criatividade.
Os acervos e coleções reunidos nos museus ao longo do tempo oferecem aos visitantes oportunidades para conhecer formas, sentimentos e significados que marcam a trajetória de vida pessoal, escolar e profissional dos indivíduos. O contato com coleções de arte, peças arqueológicas, objetos históricos, artefatos indígenas, mundo natural e a tecnologia é estimulante para novas e futuras descobertas do mundo e da vida em sociedade.
O universo dos museus é fortemente visual, presencial e físico. Estabelecer vínculos e sentidos é traço essencial e recorrente em uma visita aos museus. Conhecer museus nos permite ir além da exposição e dos objetos, possibilita uma busca infinita de novidades. Os recursos de mídia interativa e da tecnologia são cada vez mais recorrentes mas não são as únicas, tão pouco, as mais marcantes experiências que se realizam nos espaços dos museus.
Os museus transpõem desigualdades de níveis educacionais, econômicas, sociais e de idade. Ao mobilizarem suas coleções para encantar e envolver os visitantes, apresentando-lhes diferentes possibilidades e formas de ver o mundo, os museus deixam de ser percebidos como instituições distantes da vida cotidiana e sem ligação com o presente e o futuro da sociedade. Os museus da Língua Portuguesa e do Futebol são os exemplos recentes.
No Brasil assistimos ao florescimento de uma museologia criativa e com forte tendência social. São museus de comunidades, há projetos de valorização e de desenvolvimento social, promoção da igualdade social, debates, participação, estudos e publicações regulares. A 12º Semana Nacional de Museus nos proporciona melhor compreensão da história e da cultura, da sociedade e dos indivíduos, do diversificado patrimônio do mundo em que vivemos.
PAULO HENRIQUE MARTINEZ é professor no departamento de História da Universidade Estadual Paulista em Assis (SP)
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