ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de maio de 2014
Carlos José Estevam Lioti 
Se neste mês em que se comemora o Dia das Mães, milhões delas são homenageadas, com mérito, pelo amor que têm por seus filhos, qual deveria ser então a homenagem à mãe do próprio amor, e que em nome dele, tornou-se mãe de todos os seres humanos da face da terra?
O fato de Maria santíssima ter sido eleita pelo próprio altíssimo para ser a mãe de seu filho unigênito, já seria motivo para torná-la especial e única entre as mulheres. No entanto, na sua infinita e incomensurável humildade, fez-se a menor de todas as criaturas e, ao mesmo tempo, tornou-se gigante no seu amor incondicional ao senhor Deus e ao seu filho Jesus.
Depois de Deus e do Espírito Santo, ninguém na terra ou no céu; no passado, no presente ou no futuro, jamais amou e nem jamais amará mais ao Jesus Cristo do que Maria, sua mãe santíssima. E da mesma forma ninguém, depois de Jesus e do Espírito Santo, jamais amou mais a Deus do que a virgem santíssima.
Toda a vida de Maria foi de dedicação total e absoluta ao seu filho Jesus Cristo por amor, obediência e fidelidade a ele e ao Deus altíssimo. O seu pensar, o seu falar, o seu agir, o seu sentir, o seu olhar, o seu pulsar, toda a sua vida e todo o seu ser foram doados integralmente e de todo o coração ao pai, ao filho e ao Espírito Santo com tal força, intensidade, santidade e humildade que superou em muito as virtudes dos santos, anjos ou de qualquer outra criatura de Deus.
Não há nada em Maria que tenha sido para si mesma. Tudo era para o filho e para o pai. Da boa nova do anjo Gabriel até sua ascensão ao céu, o seu coração pulsou de amor sem medida por aquele que é o filho de Deus, o verbo encarnado, e assim o será por toda a eternidade. Toda a sua pureza, inocência, humildade e santidade tiveram por princípio e fim o seu filho santíssimo. Tudo em Maria era na medida do máximo amor ao pai, ao filho e ao Espírito Santo, que numa pura criatura se pode imaginar e conter.
Assim como a esponja se embebe do licor onde mergulha, enchendo com ele todos seus espaços, assim também ficou Maria repleta do amor e das graças da santíssima trindade, preenchendo por inteiro todo o seu coração, alma e entendimento que, com a mesma intensidade, os retribuía a Deus com todas as suas forças.
Nunca humilhada por culpas e paixões, sempre foi abundantemente humilde, mesmo sendo a mãe do rei dos reis. Ela é cheia de graça, conforme as palavras do arcanjo Gabriel (Lc 1,28). É a bem-aventurada entre todas as mulheres, conforme a profecia de Isabel, inspirada pelo Espírito Santo (Lc 1,45).
Pela vontade do pai, e pelo sim de Maria, o verbo se fez carne e habitou entre nós. Por meio de Maria, Jesus Cristo nos revelou o rosto divino do homem e, ao mesmo tempo, o rosto humano de Deus.
Maria não é a salvadora, mas nos conduz com suas mãos amorosas para Jesus Cristo, o salvador. Maria não é o caminho, mas incansavelmente aponta para Jesus Cristo, verdadeiro caminho, verdade e vida. Maria é aquela que nos carrega em seus braços de amor, como uma mãe leva o seu filho querido embalado e protegido no colo, e nos entrega nos braços de Jesus Cristo, o seu filho amantíssimo, luz do mundo.
Ainda hoje Maria, com amor de mãe, continua a chamar os seus filhos para abandonarem a escuridão do pecado e deixar que a luz de Jesus Cristo inunde os seus corações com o calor do seu amor e da sua misericórdia, antes que o sol se ponha no horizonte e seja tarde demais para encontrá-lo.
Se quisermos, pois, homenagear a mãe santíssima, e com ela todas as mães, então que seja com o buquê das flores da fé e do amor incondicional ao pai, ao filho e ao Espírito Santo. Que seja com o perfume do amor, bondade, humildade e misericórdia para com nossos irmãos, assim como ela o fez por toda a sua vida, e ainda o faz.
CARLOS JOSÉ ESTEVAM LIOTI é teólogo em Londrina
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