ESPAÇO ABERTO
Ensino Médio: evasão e causas
Ademar Batista PereiraMuito tem se discutido nos últimos anos sobre o Ensino Médio, mas no meu entender a raiz do problema ainda não foi discutida. A Educação é um processo, como uma linha de montagem. Em cada etapa o ser humano vai agregando uma "peça" ou "parte" e isso acontece em maior intensidade quando somos crianças e jovens, pois sempre estamos aprendendo. A escola é uma instituição determinante nesse processo, especialmente na construção das condições para o aprendizado formal.
O Ensino Médio deve ser tratado como uma etapa da construção do conhecimento, prescindida de outras que devem ser bem executadas. Portanto, antes de discutir o currículo, o que interessa aos alunos, as condições de trabalho e a infraestrutura, precisamos entender e verificar como estamos preparando a base desses jovens nas etapas anteriores ao Ensino Médio, pois seguramente o maior problema está na base, nas etapas iniciais do desenvolvimento escolar humano.
Segundo o portal Todos pela Educação, 60% dos alunos chegam à segunda etapa do Ensino Fundamental (sexto ano) sem o aprendizado adequado em português e 64% em matemática, portanto são os chamados analfabetos funcionais. Dessa imensa massa, mais da metade já abandona a escola antes do Ensino Médio, mas em geral são empurrados para as séries seguintes. Isto acontece porque a primeira etapa do Ensino Fundamental, com suas escolas municipais, não ensina o básico: ler, escrever e fazer contas.
As muitas discussões que fazemos da primeira etapa do Ensino Fundamental limitam-se a mais recursos, melhor infraestrutura e maior salário aos professores. A verdadeira discussão deveria ser como fazer melhor com os recursos que temos, pois todo bom educador sabe que para ensinar uma criança a ler, escrever e fazer contas não são necessários muitos recursos. Então, a verdadeira discussão do Ensino Médio deve obrigatoriamente passar por fazer bem as primeiras etapas.
ADEMAR BATISTA PEREIRA É presidente da Federação dos Estabelecimentos Particulares de Ensino da Região Sul
Padarias e a Copa do Mundo
Izaías Berni
Há muitos anos elas deixaram de ser apenas o "comércio de pãezinhos". Seguindo tendências e buscando diferenciais para se manterem no mercado, as padarias se tornaram verdadeiros centros gastronômicos e hoje oferecem serviços completos em foodservice. De acordo com um estudo do Instituto Tecnológico (ITPC), em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (ABIP), o setor de panificação cresceu 8,7% em 2013, o que representa um faturamento de mais de R$ 76 bilhões.
Apesar do saldo positivo, comparado aos índices dos últimos anos, em 2013 o setor sofreu uma desaceleração. A análise do instituto aponta que a causa do declínio foi, principalmente, a alta de custos fixos e variáveis das empresas, que consequentemente, refletiu em reajustes para o consumidor final.
Para retomar o desempenho que o mercado tinha desde 2007 - na qual os indicadores eram sempre acima de 10% - o setor deve se preparar para a Copa, investindo ainda mais em equipamentos, pessoas e tecnologia. As padarias gourmets devem ganhar muito com o evento, pois cada vez mais se igualam a bares e restaurantes quando o assunto é refeição e atendimento de qualidade.
A dificuldade de locomoção por conta do trânsito nas cidades-sedes certamente será um dos fatores que induzirão os turistas a optarem pelas padarias. Além de comodidade, atualmente elas oferecem serviços como Wi-fi, self-service e happy hours, buscando atender ao máximo o perfil do público.
O ano é atípico, a queda no faturamento do setor de panificação e confeitaria também. O que cabe a nós, profissionais e empresários da área, é contribuir e torcer para que as padarias subam degraus com a Copa de 2014.
IZAÍAS BERNI É diretor comercial em São Paulo
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