ESPAÇO ABERTO
Jeitinho brasileiro e o contador
Bruno Francesco Amorese
É impossível se calar quando questionam a integridade de uma sociedade. O hino da Copa do Mundo 2014 intitulado "We will find a way" (em português, "Dar um jeito") faz alusão ao "jeitinho brasileiro", de sempre encontrar alternativas para tudo, seja na vida pessoal, profissional e perante as autoridades. Pode-se enfocar esta reflexão do ponto de vista dos profissionais da contabilidade, cujo dia é comemorado neste 25 de Abril, analisando a questão por dois prismas, pelo lado ético e pelo desastroso repugnante.
O lado positivo de se "dar um jeito" envolve a garra que o povo brasileiro tem que, mesmo com tão pouco, consegue lutar e criar alternativas para viver, sobreviver e empreender negócios. Assim, com esta flexibilidade e motivação rebuscada do mais profundo íntimo, indivíduos, mesmo que poucos, acabam por emergir socialmente, conquistando meios para usufruir melhor qualidade de vida, e, por extensão, contribuir para o desenvolvimento da sociedade.
Por outro lado, a prática de "dar um jeitinho" é extremamente negativa pois trava toda uma sociedade seja no âmbito social, econômico e político. Um exemplo é quando um cidadão quer empreender um negócio, mas se vê desmotivado com a alta carga de impostos e estagnado na burocracia do serviço público, com pessoas que não enxergam coletivamente, prejudicando o bom andamento da economia.
Diante desse dilema de se "dar um jeito" ou não, o que a sociedade pode esperar dos profissionais da contabilidade neste dia 25? Conforme rege o Código de Ética da classe, é primordial exercer a profissão com zelo, diligência, honestidade e capacidade técnica, não dando margem a motivações egocentristas. O contador, o contribuinte e o agente público devem fazer parte de um ciclo virtuoso, cujas qualidades são a de edificar a sociedade de forma progressiva, buscando uma conscientização e mudança de comportamentos, gerando, à medida do possível, uma vida satisfatória para todos.
BRUNO FRANCESCO AMORESE É contador em Londrina.
Greve e outras questões do magistério
Franciela Zamariam
Não entendo como a classe que deveria ser a mais esclarecida continua com individualismos tão prejudiciais. Frases como "não vou fazer greve por que vai atrapalhar minha aposentadoria ou minha progressão", "a greve vai prejudicar os alunos" são premissas absurdas de quem pensa somente a curto prazo. Infelizmente, o maior obstáculo para a melhoria da nossa profissão e da educação são a própria categoria e a sociedade. Se todos entendessem o real valor de um professor, nenhum de nós aceitaria estudar 4 ou 8 anos, fazer mais as especializações e pós-graduações e lecionar por essa ninharia que nos pagam. Médicos e advogados não consultam em 15 ou 20 minutos por menos de R$ 100. Por que somos inferiores a eles?
Diariamente, sou psicóloga, conselheira, tutora, responsável por ensinar boas maneiras, disciplina, hábitos de higiene, moral e ética, além de todos os conteúdos acadêmicos constantes do programa escolar. Tudo isso de uma maneira divertida e estimulante, e não raras vezes sendo ofendida e destratada por alunos, familiares. Será isso justo? O profissional que forma todos os outros é o menos valorizado em todos os sentidos. Deixemos de culpar unicamente os políticos, pois eles não têm toda essa força que atribuímos a eles. Estamos sendo manipulados para a desunião e nossa dissensão (professores contra professores, povo contra professores, etc.) apenas alimenta o despotismo e favorece aos que desejam a perpetuação da ignorância do povo.
Se cada professor passasse a pensar na categoria e não aceitasse lecionar até que tenha condições dignas de trabalho, então a satisfação pessoal e financeira viria para todos. Se os alunos parassem de ver os professores como vilões/inimigos e as famílias também fizessem sua parte e deixassem as críticas aos educadores em prol de uma luta conjunta por uma educação escolar de boa qualidade e com resultados autênticos, toda a sociedade seria transformada para melhor.
FRANCIELA ZAMARIAM É professora da rede pública estadual de ensino em Londrina.
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