ESPAÇO ABERTO
Longevidade do homem do campo
José Luiz Tejon Megido
Pesquisas revelam que comer frutas e verduras melhora em 42% a longevidade da vida, diminui a chance de câncer e ataques cardíacos, além de contribuir para a diminuição de peso. Uma chamada dieta do homem da idade da pedra, 2 + 5, quer dizer duas porções de frutas e mais cinco de verduras ao dia, faz um enorme bem para a saúde humana e, quem são esses produtores de hortifrúti no Brasil?
A propriedade média é de 10 hectares e o grosso da produção encontra-se ao largo das grandes rodovias. Sucessão é um drama, pois um em cada cinco produtores dizem não ter sucessores de suas propriedades, 23,5% entre analfabetos e primário incompleto, 73% com formação só do primário; 99% são brasileiros, 76% fazem a contabilidade eles mesmos, 17% não fazem cálculo de custos e só 8% dizem conhecer as leis; 80% dos produtores de hortifrúti ganham até R$ 60 mil por ano. Somente 2,5% ganham mais de R$ 360 mil/ano.
Essa é uma pesquisa conduzida pelo Sebrae no Brasil, recentemente. Esses são os produtores que geram cerca de 32% do faturamento dos supermercados brasileiros. E agora, a Associação Brasileira de Supermercados lançou o programa Rastreabilidade e Monitoramento dos Alimentos exatamente para elevar a segurança, a qualidade e evolução desse segmento vital para a saúde humana, e para a viabilidade das micros e pequenas propriedades rurais do país. Uma nova geração de jovens e pessoas bem preparadas deverá nos próximos anos ser atraída para esse novo campo, onde hortifrútis serão cada vez mais valorizados.
JOSÉ LUIZ TEJON MEGIDO É vice-presidente de Comunicação do Conselho Científico para a Agricultura Sustentável
Muitas mudanças já em marcha
Walmor Macarini
A ciência espiritual é provada por formas não convencionais e, por isso, não aceitas pela comunidade científica. Porém, não deixam de ser provas. O positivismo materialista estabeleceu como verdade absoluta que o progresso da humanidade só depende dos avanços da ciência e que fora desse entendimento tudo é irreal. Como tal, apregoa que a ciência oficial é a única capaz de transformar a sociedade e que todos os fenômenos transcendentes são crendices. Assim foi no passado e ainda vigora acentuadamente em nossos dias, sobretudo nas mentes irredutíveis do tradicionalismo e nos bolsões do fanatismo tão presente nas religiões dominantes. Porque negam o que é inacessível aos olhos e que não tenha o testemunho dos tubos de ensaio e das pranchetas. O condicionamento imposto por sistemas de crenças, por instituições científicas e mesmo educacionais, assim como pela tradição, ainda mantém multidões acorrentadas aos grilhões do atraso e do obscurantismo.
O alento é que as coisas estão mudando. Não porque tais organismos o estejam admitindo, mas porque as pessoas vão se tornando independentes e mais questionadoras e buscadoras, sobretudo os jovens. Então, mudanças ocorrerão pela pressão das correntes renovadoras que está emergindo de fora para dentro. Porque, nesse campo, de dentro para fora nada acontecerá. Assim é também com os governos na sua relação com as massas.
No caso das igrejas tradicionais, não será um supremo sacerdote que mudará a ordem das coisas - embora possa ser uma forte alavanca - e sim os fiéis, que passarão a não mais aceitar ensinamentos equivocados ou mal explicados. Pela avalanche dessa corrente os dirigentes terão de mudar. Os líderes sensíveis o farão, pelo mérito de compreenderem essa marcha. Ou perecer. Um exemplo atual - no caso da Igreja Católica - é o advento e a percepção do novo papa. Ele está sabendo captar algo novo que murmura das multidões. Mas sabe-se que nada acontecerá abruptamente, pela renitência ainda forte de uma camada de fiéis mais ortodoxos. As mudanças serão graduais, mas inevitáveis, e já estão em marcha.
WALMOR MACARINI É jornalista em Londrina.
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