ESPAÇO ABERTO
Educação: gol contra
Marcelo Andriotti
A educação no Brasil ainda está longe de ser uma das melhores do mundo. Prova disso, além das inúmeras pesquisas de contexto mundial, está na falta de qualificação profissional. Um adulto mal capacitado foi uma criança que não recebeu a educação básica devida. Indo na contramão do ensino das escolas públicas, estão as organizações não governamentais, que somam às famílias das crianças convicções para enxergar um futuro diferente.
A notícia de mais um gol contra nesta área foi dada pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que divulgou o resultado do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). Mais uma vez nosso país ficou atrás: 38º lugar num ranking de 44 países. Isso deixa claro que é através da inação dos nossos governantes, que, em matéria de educação continuamos pisando na bola.
Num teste onde se avaliou a atitude dos estudantes 85 mil, dentre estudantes de vários países diante de problemas cotidianos e o seu desempenho para resolver problemas de matemática, os brasileiros se revelaram inaptos. Apenas 2% dos brasileirinhos jovens de 15 anos conseguiram solucionar as questões mais complexas de matemática, contra uma média de 11,4% verificada entre os demais países.
É claro que sempre poderemos mudar este quadro, mas é preciso correr e muito, não atrás da bola, mas contra o tempo que se perdeu há décadas pelos campinhos e várzeas deste país, que se empenha sobremaneira para levar a sua imagem ao mundo como o "País do futebol" e, em contrapartida, não faz nenhum esforço para que os nossos jovens, futuros homens, possam ser os craques da educação. Enquanto o futebol pode mudar a vida de alguns poucos indivíduos, é com Educação de qualidade que formaremos cidadãos plenos, conscientes e veremos mudanças significativas na qualidade de vida de todos. Mas aí fica a pergunta: queremos um grande craque, um "herói", ou uma sociedade inteira capaz de mudar os rumos da própria história? A quem interessa isso?
MARCELO ANDRIOTTI é fundador da ONG Favela Mundo
Copa no Brasil
Vivasvan Campos e Prado
Outubro de 2014 marcará um novo tempo na política brasileira. Será o momento do Brasil mostrar ao mundo e a si mesmo se quer mesmo ser um país sério. Ao menos tem tudo para ser, sendo a Copa do Mundo um sucesso ou não. Mesmo que seja só dentro de campo, pois é quase certo que boa parte das obras de mobilidade urbana, em aeroportos e outras áreas incluídas nos investimentos para a realização desse grande evento, não fique pronta em sua totalidade para junho.
Marcará um novo tempo justamente por ser a eleição posterior aos anos em que aconteceu a maior publicidade de que o Estado brasileiro tem dinheiro, e basta ter prioridade e força de vontade política para que a grana seja liberada. Essa foi a primeira vez que uma grande parcela da sociedade não viu os políticos falando da falta de recursos, como é de "costume" ouvir em relação a outros campos de atuação governamental. A sociedade acompanhou de perto o empenho jurídico e político na liberação e constantes acréscimos de dinheiro público para financiamento de estádios e diversas obras. Mesmo que a execução ainda seja falha, agora sabemos que há recursos, só resta mais vergonha na cara e competência para aplicá-los melhor.
Assim, depois de seis eleições presidenciais pós-redemocratização e ordenadas pela Constituição denominada cidadã, o contexto de 2014 também é enriquecido com o fator da internet, que trouxe voz a milhões de pessoas que não eram capitalizadas pelos partidos e nem por qualquer outra instituição, mas que querem ser ouvidas e agir. Sujeitos que querem se tornar cidadãos, e não mais apenas ouvir e não entender este Estado Democrático de Direito que não os incluem. Seja qual for o resultado das eleições, os políticos que assumirão em 2015 têm tudo para governar num cenário de maior cobrança em participação, transparência, ética e seriedade. Se tivermos vergonha e autocrítica, a Copa do Mundo pode resultar num bom jogo para a democracia.
VIVASVAN CAMPOS E PRADO é servidor público em Brasília
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