ESPAÇO ABERTO
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quinta-feira, 10 de abril de 2014
Carlos José Estevam Lioti 
A compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, adquirida pela Petrobras em 2006 com indícios de superfaturamento, está sendo investigada pelo Tribunal de Contas da União, que aponta que as negociações pode ter gerado um prejuízo aproximado de US$ 1 bilhão, equivalente a R$ 2,31 bilhões.
Se esse fosse um caso isolado, já seria preocupante. No entanto, essa é apenas mais uma notícia das muitas veiculadas pela mídia, quase que diariamente, envolvendo casos de corrupção, desvio de recursos, fraudes em licitações ou prejuízo aos cofres públicos. Segundo estimativas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o custo médio da corrupção no Brasil, em 2010, era estimado entre 1,38% e 2,3% do PIB, equivalente a R$ 66,8 bilhões e R$ 111,3 bilhões em 2013.
Se por um lado a sangria dos recursos públicos alcança cifras absurdas como essas, por outro, temos um quadro caótico na sociedade brasileira, que sustenta as arrecadações recordes de impostos do governo federal, que em 2013 passou de R$ 1,7 trilhão.
E das muitas mazelas a que são submetidos os brasileiros pela falta de investimentos públicos, pode-se destaca algumas. De acordo com reportagem da Rede Globo, estima-se que existam cerca de 8 milhões de crianças abandonadas no Brasil, das quais 2 milhões estariam vivendo nas ruas em situação de risco, presas fáceis do tráfico humano e de drogas.
Milhões de brasileiros enfermos que batem as portas dos hospitais muitas vezes encontram estruturas precárias, prontos-socorros lotados, equipe médica e medicamentos insuficientes que podem fazer a diferença entre a vida e a morte.
Em 2012, conforme o Observatório de Segurança Viária, ocorreram mais de 60 mil mortes no trânsito e mais de 350 mil casos de invalidez permanente, muitas das quais causadas pelo abandono ou má conservação das estradas.
Em 42,9% de residências no Brasil não tinham acesso ao tratamento de esgoto em 2012, de acordo com o Instituto Trata Brasil. Em 2012 havia 13 milhões de pessoas sofrendo de subnutrição associada à extrema pobreza, segundo o Portal Brasil. Em 2013 havia 11,7 milhões de pessoas vivendo em favelas no Brasil, conforme reportagem da Rede Globo. Segundo a Universidade de Brasília, 44% das escolas públicas de educação básica no Brasil apresentavam problemas com infraestrutura em 2011. Em 2012 os homicídios dolosos ultrapassaram mais de 41 mil casos, conforme o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública.
Se todos os bilhões de reais desviados pela corrupção fossem corretamente aplicados na proteção às crianças, na saúde, nas estradas, em saneamento básico, em alimentação, em moradias, em educação e em segurança, com certeza os números sombrios aqui referidos poderiam ser minimizados, e com eles o sofrimento de milhões de brasileiros.
Quando aqueles que detêm o poder, criminosamente, desviam para si preciosos recursos sangrados dos cofres públicos em detrimento de milhões de pessoas ou quando aplicam os escassos recursos em obras faraônicas e desnecessárias, estão colaborando ou sendo coniventes com o grito dos excluídos pela pobreza, com o abandono dos inocentes, com a dor dos enfermos nos hospitais e com o lamento das mortes pela violência.
Os que seguem as trevas, amam a vaidade, cobiçam as riquezas e desejam o deleite sensível e enganoso que cega e obscurece o entendimento, criam densas trevas que impedem a entrada da luz do amor, da bondade, da justiça e da misericórdia de Deus para se distinguir o bem do mal, e assim poderem reverter este triste cenário que, a cada dia, se torna mais sombrio. O grito dos inocentes clama por justiça diante do Deus Altíssimo. Se na "justiça" humana os corruptos muitas vezes encontram escapes, no tribunal de Deus lhes serão cobrados até o último centavo.
CARLOS JOSÉ ESTEVAM LIOTI é administrador em Londrina
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