ESPAÇO ABERTO
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quarta-feira, 02 de abril de 2014
Nélio Roberto dos Reis 
Deus fez o homem, a China faz todo o resto, exceto os médicos que são feitos em Cuba, mas cabe ao Brasil abusar deles.
Cuba, um país com 11 milhões de habitantes, enviou mais 4 mil médicos ao Brasil, que se juntarão aos 7,4 mil que aqui já estavam totalizando 11,4 mil. Se os leitores acham que são muitos, outros milhares já foram para Colômbia, Venezuela, África entre outras paragens. E existem muito mais em Cuba, trabalhando em lojinhas de lembranças, vendendo charutos em frente à catedral de Havana. Não existe segredo nisso, qualquer um que for lá, verá.
Não se trata de uma crítica à capacidade desses profissionais. Quem poderia avaliá-los seria Hugo Chaves, que foi tratado por eles. Devem existir outros.
Cuba, um país geograficamente lindo, praias maravilhosas, um povo que toca e dança nas praças com uma graciosidade sem igual. A medicina é gratuita, mas pela quantidade de pessoas nas ruas sem dentes, odontologia não deve estar contida no programa. As casas são básicas com os móveis antigos ou rústicos demais, como feitos pelo próprio morador. Do lado de fora, reboco caído e roupas secando nas janelas. Mas acredito que casas com a dos irmãos Castro sejam melhores. Muitos carros novos estacionados em locadoras para turistas e nas ruas, proporcionalmente poucos carros antigos americanos com peças adaptadas de automóveis russos da marca "Lada".
Voltando a Cuba, que governo é esse que aluga, explora e abusa de seu próprio povo? Que dá mais valor ao comércio de charutos e rum do que dá aos seus filhos médicos? País onde existem dois tipos de pessoas: os dirigentes e o povo indigente. Onde um cidadão melhorar de vida é uma contravenção. O único país do mundo em que um pescador não pode ter um barco, porque foge. Cantores camponeses pobres precisam pagar impostos para cantar nas ruas a troco de centavos.
Acreditamos que os médicos vêm para o Brasil em missões humanitárias. Isto não é verdadeiro. Vieram para usar internet, sair e assistir um filme atual. Olhar com liberdade um museu, um carro diferente, resumindo, saber como funciona o mundo. Porque lá são isolados, assim como em uma caverna isolada. Vivem na mais completa escuridão em um país onde o sol transborda.
Por que as pessoas de Cuba são longevas? Fácil resposta. Sem dinheiro e com escassez de produtos que em abundância não são saudáveis, como carne vermelha, farinha processada, enlatados. A maioria não possui carros, é obrigada a se exercitar, emagrece, consequentemente apresenta vida mais longa. Se você separa dois grupos de camundongos em laboratórios. Aqueles que comem menos e se exercitam, vivem mais. Óbvio.
Mas o problema maior está no constrangimento sem igual que deve passar a presidente Dilma. Como assessores desobedientes, maquiavélicos que tomam uma atitude conivente com um governo explorador de seres humanos fazendo tudo que ela diz que reprova. É preocupante o estado lamentável em que a presidente deve se encontrar ao ver no país que ela governa, aquilo que condena. Principalmente, ela que vem de um partido que protege o trabalhador. Como será ter tido ao seu lado o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha? Ministro que, com certeza, recebeu uma Constituição sem a página do artigo onde diz: "Todos são iguais perante a lei, todos têm o direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança".
Muitos desses médicos fugirão, assim como os 3 mil da Venezuela, porque um ser humano necessita de um mínimo de dignidade. Qualquer um com Q.I. mais de 30 não pode passar uma vida em contradição com aquilo que não digere. A médica Ramona Rodrigues, que pediu ajuda na embaixada, será protegida ou terá o fim dos boxeadores olímpicos? Repatriados e destruídos.
NÉLIO ROBERTO DOS REIS é doutor em Ciências pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e professor da Universidade Estadual de Londrina
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