ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de março de 2014
Eduardo Tavares, Maria Angélica B. Moura e Lidia F. Yabuuti Kariya 
No mês em que se comemora o Dia da Mulher, é preciso voltar a atenção para a saúde do público feminino. Hoje, a expectativa de vida é maior e as possibilidades para viver com mais qualidade também são muitas. Mas a mulher se cuida como deveria? Essa é uma questão fundamental para que a mulher tenha mais qualidade de vida. A saúde feminina preventiva pede cuidados constantes e consultas de rotina com profissionais de várias especialidades.
É fundamental consultas com ginecologistas para realizar o exame de Papanicolau anualmente, entre as pacientes de 25 a 59 anos e com vida sexual ativa, para detectar de forma precoce o câncer de colo de útero e tratá-lo adequadamente. Na fase do climatério e da menopausa é importante a visita a um ginecologista, a um mastologista, a um endocrinologista e a um clínico geral para diagnóstico de doenças relacionadas a mudanças de hábitos e estilo de vida, como os problemas cardiovasculares, hoje a principal causa de morte entre o público feminino: uma em cada três mulheres. Isso é resultado de uma vida moderna agitada e repleta de responsabilidades. Mas é preciso cuidar. Segundo o Ministério da Saúde, o acidente vascular cerebral (AVC) e o infarto representaram 34,2% das mortes de mulheres em 2011.
Além disso, exames como a densitometria óssea precisam ser realizados a cada dois anos, para prevenir doenças como a osteoporose. A mamografia é um exame que não pode ficar de fora da agenda da mulher. É importante que seja feito anualmente, pois é uma das maneiras mais eficientes para se detectar precocemente o câncer de mama, uma das neoplasias que mais acometem as mulheres. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam o surgimento de 57.120 novos casos em 2014 no Brasil. Em 2011, foram registradas 13.345 mortes pela doença no País, sendo 120 homens e o restante mulher. É assustador. Por isso, a necessidade e a urgência do público feminino cuidar da saúde.
Com o avanço da medicina e da tecnologia, os equipamentos estão cada vez mais modernos e podem contribuir para um diagnóstico mais apurado, como o mamógrafo digital que oferece melhor qualidade de imagem do exame e pode ajudar a aprofundar o diagnóstico. Também houve uma disseminação de equipamentos de imagem e popularização de aparelhos de ultrassonografia, densitometria, mamografia, entre outros. Isso é bom. Mas é acessível?
Sabemos da dificuldade de boa parte da população em ter acesso a exames de qualquer especialidade, principalmente por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Em algumas regiões, a usuária do SUS dispõe de pouco acesso a exames, devido à indisponibilidade de aparelhos e falta de profissionais. Uma iniciativa do governo do estado de São Paulo chamou a atenção no início desse ano. O programa "Mulheres de Peito" pretende ampliar o acesso e incentivar as mulheres, entre 50 e 69 anos, a realizarem exames de mamografia pelo SUS. Para isso, disponibilizou quatro carretas-móveis equipadas e um caminhão adaptado para percorrer o estado, incluindo locais distantes onde o exame não é oferecido. Entre os exames, poderão ser feitos mamografia e ultrassonografia no local. O objetivo é estimular o diagnóstico precoce da doença.
Por isso, além da consciência da mulher, já que muitas que têm acesso muitas vezes são displicentes com a própria saúde, a importância de uma política pública sólida, efetiva e de longo prazo para mudar esse cenário é urgente. Afinal, toda mulher tem o direito de ter acesso à saúde.
EDUARDO TAVARES, MARIA ANGÉLICA B. MOURA E LIDIA F. YABUUTI KARIYA são médicos radiologistas em Londrina
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