ESPAÇO ABERTO
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sexta-feira, 21 de março de 2014
Dom Orlando Brandes 
Celebramos hoje a festa da água, o dia da água, a conscientização da prioridade da água no planeta. Há ainda um longo caminho a percorrer para salvar a água na Terra. Estamos saindo de uma seca prolongada e simultaneamente sofrendo com enchentes fora do comum. Nossos cuidados com água vão desde a escovação dos dentes, o tempo gasto para o banho, o uso da água para lavar calçadas, até à morte de nascentes, poluição dos rios e mares e outros desmandos.
Temos visto alguns avanços e iniciativas de empresas e de outras instituições, mas é ainda muito pouco. O desenvolvimento econômico tem depredado o meio ambiente e envenenado o sangue da vida na Terra que é a água. Grandes e pequenos precisamos mudar de mentalidade, de estilo de vida e de desenvolvimento econômico. Faz-se necessário aprofundar a "mística da água".
Água é bem comum, patrimônio da humanidade, direito de todos. A água é sagrada não só para as culturas indígenas, mas para a cultura moderna. Os rios são nossos irmãos e precisam ser tratados com gentileza. A vida só existe e subsiste onde tem água. Hoje vale para as criaturas, especialmente para a água, o mandamento: "não matarás". A alma do nosso corpo e do universo, biologicamente falando, é a água. Que as águas de nossas lágrimas lavem nossos pecados contra a água e as águas batismais fortaleçam o dom profético que todos temos para exercê-lo em favor das águas. Ou mudamos ou pereceremos.
Nem no Brasil podemos continuar esbanjando água mesmo com grandes aquíferos, chuvas generosas e 16% da água doce do mundo. É uma dádiva de Deus o que temos para cuidar e preservar.
Dar um copo de água é uma tão boa ação que repercute no céu. Vamos, pois, dessedentar rios e fontes poluídas, sabendo que de gota em gota se faz o oceano e que água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Com São Francisco digamos com fé: "louvado sejas meu Senhor pela irmã água útil e humilde, preciosa e casta". Salvemos a água e a terra será salva. Em defesa da água não podemos ser surfistas, mas, mergulhadores. Só quem tem um coração de pedra, não se deixa molhar pela defesa e respeito pela água.
Celebramos anualmente a romaria da água porque tanto as indústrias como a lavoura consomem água. Precisamos revitalizar nascentes e rios, investir em cisternas para armazenar a água da chuva, além disso, é necessário a gente saber beber água em favor da saúde pública. Somos vítimas de tantas doenças por falta de água tratada e vencemos a epidemia da dengue evitando criadouros da larva que prolifera em água estagnada.
Temos razão de sobra para celebrar o dia da água e não supor que a sociedade está suficientemente informada e conscientizada sobre a urgência de cuidados para com a irmã água.
Dom Orlando Brandes é arcebispo de Londrina
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