As sérias consequências da falta d'água Economizar, racionar, diminuir. Não é de hoje que ouvimos dizer que um dia a água vai acabar e que se não reduzirmos o consumo isso deve acontecer em breve. Entretanto, é somente quando a situação se agrava que o assunto vem à tona. Assim foi com a seca de 2013 no Nordeste e mais recentemente com os baixos níveis dos reservatórios de São Paulo. De forma natural, as pessoas passam a perceber a gravidade do tema quando os efeitos da falta de água começam a atingi-las. Na cidade paulista de Itu, por exemplo, a cada três dias, dois ficavam sem água no período de racionamento. Para sanar o problema, alguns moradores chegaram a recorrer a carros-pipa e até à água de córregos. Preocupante, não? Recorrer à água de fontes não seguras pode contribuir para o surgimento de sérias doenças, como aconteceu no ano passado com o surto de diarreia em diversas regiões do Nordeste. Só no estado de Alagoas, de janeiro a julho, foram registradas 47 mortes por conta da epidemia. Os carros-pipa vêm sendo uma alternativa das autoridades para levar água à população, mas no último ano nos deparamos com notícias sobre diversas irregularidades na distribuição da água como tanques sujos e abastecimento em açudes com água barrenta. Frente à ocorrência, observamos que a saída pode agravar ainda mais a situação. O que compete a nós, empresários e empresas com soluções para tratar a água, é informar o consumidor sobre como proteger sua saúde. Muitas pessoas não sabem, mas existem medidas para cuidar da água em casa, com baixo custo e eficácia comprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Dessa forma, as consequências da falta de água podem ser prevenidas, diminuindo o risco de contaminações, surtos e até mortes. RODRIGO FELISONI é diretor da Saggio do Brasil

Bibliotecas fechadasA propósito do artigo "As Bibliotecas prometidas", sobre a falta de bibliotecas em muitas escolas públicas e mais uma promessa do poder público de resolver o problema, chamou-me a atenção o texto de Galeno Amorim a respeito do não zeramento do número de municípios brasileiros sem bibliotecas. A minha ênfase foi sobre as bibliotecas escolares, mas uma cidade sem biblioteca, por menor que seja, é uma situação inaceitável. Galeno foi presidente da Fundação Biblioteca Nacional e, segundo ele, quando deixou a casa, em 2013, estavam sendo entregues os últimos kits para montagem de biblioteca aos municípios que ainda não as tinham. Centenas de municípios que receberam os kits ainda não tinham aberto suas bibliotecas. A justificativa, conforme o texto: "para muitos prefeitos manter uma biblioteca aberta dá um trabalhão danado, por menos que façam. Sendo assim, justificam esses, melhor nem abrir..." Dá pra acreditar? Dá trabalho promover cultura e educação, não há verba, não há pessoal, não há espaço. Conheço essa história de cor. Nosso grupo literário, que existe há quase 34 anos, nunca conseguiu um espaço para reuniões e estudo, por todas as cidades onde teve sua sede. Fazíamos o atendimento de escritores iniciantes que procuravam a Casa da Cultura, em Joinville, por exemplo, a qual por sua vez, mandava as pessoas para nós. Mesmo assim não conseguíamos espaço. Então, não duvido da veracidade do fato. Mas o mais grave é que para outras finalidades bem menos importantes, quase sempre, há verba, como carnaval, como a farra da Fifa, em Florianópolis, que teve o "patrocinío" do Estado, etc. Mas tem mais no texto lido, igualmente terrível: a notícia de que muitos municípios acabam fechando suas bibliotecas. Sim, bibliotecas vêm sendo fechadas, sistematicamente. Por falta de leitores, dizem. Sinal de que o descaso com a educação brasileira está dando frutos. Mas, a bem da verdade, o motivo principal do fechamento de bibliotecas é que o poder público acaba cortando os pagamentos de tudo o que é necessário para a manutenção dos espaços, até que eles tenham que ser fechados, por não ter mais condições de receber ninguém. É lamentável que alguns de nossos prefeitos deem tão pouca importância ao valor da educação de seus eleitores. E o pior é que não são só os prefeitos. LUIZ CARLOS AMORIM é coordenador do grupo literário A Ilha



Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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