Um ano de Francisco nas ruas

eu primeiro filho, Lucas, fez um ano de idade neste mês de março. Celebrar esta data tão importante para mim e a minha esposa é recordar também um momento histórico na Igreja Católica: a renúncia do Papa Bento XVI, o conclave e a eleição de um novo sucessor.
Não quero aqui recordar números, como o de que um Papa não renunciava há quase 600 anos. O fato é que Bento XVI tomou a decisão de renunciar. Fruto de oração, como ele mesmo disse em seu pronunciamento. Por consequência, ação de humildade e obediência. Os frutos deste fato estão aí para serem colhidos: eleição do Papa Francisco, reformulação interna e externa da Igreja e, como resultado, a admiração contagiante que o mundo demonstra por tudo que este Papa está realizando.
Fomos privilegiados por hospedar em nosso país este Papa durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ-2013). Recém empossado, Francisco nos deu o gosto de experimentar a prévia de seu pontificado. Por aqui ensinou a 3 milhões de jovens, na maravilhosa sala de aula da Praia de Copacabana, a não perder a esperança, a sermos protagonistas da mudança, se referindo às manifestações públicas sem atos de violência. E na Via Sacra da Avenida Atlântica, em frente à Cruz da JMJ, afirmou: "Ninguém pode tocar a Cruz de Jesus sem deixar algo de si mesmo nela e sem trazer algo da Cruz de Jesus para sua própria vida".
Neste um ano de pontificado, o Papa Francisco deixou claro que quer uma Igreja que saia às ruas. E quando este Francisco não está nas ruas, se faz presente nas inúmeras manchetes que estampam seu nome, nas conversas com os mais diferentes públicos, nas suas palavras ditas da janela do Vaticano ao mundo...
Na época do Conclave li um artigo de John Allen Jr. - um dos mais experientes vaticanistas da atualidade, que destacava a biografia do então Jorge Mario Bergoglio. Segundo ele, um cardeal anônimo chegou a afirmar no dia 2 de março (antes da escolha do Papa Francisco) que, quatro anos de "Bergoglio" já seriam suficientes para mudar muitas coisas na Igreja.
Este é apenas o primeiro ano de pontificado deste Francisco que, como o fundador da congregação franciscana, já encanta o mundo.

RAFAEL LEAL é jornalista e missionário da Comunidade Canção Nova




Não existe trânsito em Londrina

Qualquer afirmação pregando lentidão sobre o trânsito londrinense ou a este atribuindo os mais execráveis adjetivos é mentirosa. Isto porque não existe trânsito em Londrina. E, neste momento, é necessário que o leitor compreenda a presença de certa carga de humor e ironia (bases interpretativas que têm causado problemas quando não pontuadas).
O instituto é, em geral, definido pelos léxicos como "ação de transitar, movimento de veículos, fluxo, circulação, deslocamento, conjunto de veículos que se movem". Muito embora o parágrafo primeiro, do artigo primeiro do CTB - e só ele - faça constar o termo "parada", o próprio código não se esquiva de também defini-lo como "circulação".
Feita esta ressalva, está claro que a existência de trânsito pressupõe movimento constante, o que inegavelmente passa longe de Londrina. O horário já é indiferente. São incontáveis indivíduos dirigindo veículos (de motoristas não poderiam ser chamados), que, na melhor das hipóteses, precisariam de um curso de reciclagem por mês.
Existe medo de fazer curva, medo de semáforo amarelo, amnésia em relação à seta e ao acelerador, um certo "sono" na direção e indiferença sobre o momento correto de abrir a porta do próprio carro estacionado. Enfim, são travas ambulantes.
Tais fatores subjetivos, quando somados às circunstâncias de política de planejamento e gestão de trânsito e transportes, assassinadas pelos, no mínimo, 12 anos de gestões londrinenses fraudulentas e corruptas, suscitam o caos em seu estado de estátua.
Ainda que exista êxito no deslocamento de um lugar ao outro, é fantasia acreditar que seja possível sofrer nesta cidade um trânsito digno, humano. Um simples trajeto, curto, pode custar um tempo bastante precioso.
Enfim, não existe trânsito em Londrina.

HUGO C. ZUAN ESTEVES é advogado em Londrina


Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br •

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