Opinião Atualizado em 09/03/2014, 23:00
ESPAÇO ABERTO
Sobre rolezinhos e manifestações de rua Costuma-se dizer que a educação deve auxiliar a preparar nossas crianças e adolescentes para os desafios do mundo. Como educador e militante da área, não tenho a menor dúvida quanto a essa importância e necessidade. Ainda mais nos dias de hoje, em que as manifestações de rua e os "rolezinhos" concentram uma quantidade enorme de jovens. Ao invés de meramente criticar esses fenômenos, é obrigação da escola e dos professores compreender e trazer esses assuntos ao centro do debate. Para tanto, nunca é demais lembrar dos ensinamentos de Paulo Freire, que sempre buscou entender a educação através do cotidiano vivenciado pelo aluno e sua família. Esse olhar mais humano e fraterno é essencial para evitar situações que nem de longe refletem o que se espera para a formação de novos cidadãos. Quando nos esquecemos desses preceitos, corremos o sério risco de ficarmos à mercê de posturas inadequadas, como a ocorrida na recente mobilização contra o aumento da tarifa de ônibus, na cidade do Rio de Janeiro, que resultou na morte do cinegrafista Santiago Andrade, atingido por um rojão. Não sou contra as manifestações populares. Pelo contrário, defendo a participação das pessoas em protestos pacíficos como uma maneira legítima de reivindicar e lutar pelos seus direitos. Apoio, inclusive, a presença de crianças e adolescentes nesses atos, acompanhados por responsáveis, como forma de despertar nelas espírito cívico e consciência crítica sobre os temas do dia a dia. Por outro lado, sou radicalmente contrário à postura dos "black blocs" que, por meio da violência, acabam apenas gerando mais violência. É dever da escola contribuir para que o debate sobre esses assuntos e outros sejam realizados na sala de aula. Isso é incentivar o exercício da cidadania. Caso contrário, permaneceremos reféns de uma visão conservadora e preconceituosa. Precisamos garantir o direito de ir e vir das pessoas. Da mesma maneira, temos de assegurar que elas possam se manifestar livremente. Daí que a educação é fundamental nessa percepção e na preparação de cidadãos conscientes de seu papel na sociedade. GILMAR SILVÉRIO é secretário de Educação de Santo André (SP)
As pegadinhas do Promic Londrina sempre foi culturalmente muito avançada no Paraná: uma lei aprovada em 2002 pela Câmara dos Vereadores obriga a Prefeitura, através da Secretaria da Cultura, a designar verbas do Promic Programa Municipal de Incentivo à Cultura, para diversas áreas culturais, desde circo até literatura, de teatro a cinema, de documentação histórica a fotografias. Em 2013 foram lançados os editais anuais de praxe, convidando interessados da categoria "Projetos Culturais Independentes" para a participação no programa a ser colocado em prática em 2014. Mas foi muito estranha a súbita complexidade dos editais, repletos de minúcias e "pegadinhas" uma demonstração de que o Promic não veio para facilitar, mas sim para complicar a vida dos interessados. Tanto é verdade, que dos 136 projetos apresentados nas várias abrangências culturais do programa, apenas 34 foram habilitados, 100 projetos foram inabilitados e dois desistiram. As razões alegadas pelo Promic para a inabilitação? Do total, 47 projetos pecaram pela ora, bolas simples falta de numeração nas páginas do projeto; 28 cometeram lapsos ou erros na apresentação dos orçamentos; 25 deixaram de anexar um ou mais documentos. Provavelmente grande parte dos inabilitados conseguiria facilmente numerar as tais páginas (qualquer criança de sete anos tem essa capacidade), anexar os documentos eventualmente faltantes e acertar detalhes erroneamente lançados na composição dos orçamentos. Para o cidadão londrinense, estas inabilitações, que privilegiam a burocracia requerida pelos complexos editais em detrimento ao possível mérito de cada projeto, soam mais como um prosseguimento do chamado "contingenciamento de verbas" por parte da Prefeitura, implantado pelo prefeito Alexandre Kireeff, do que o desejo de cumprir a lei municipal e inserir Londrina no primeiro mundo da cultura brasileira. Está aí um modo eficiente de capar a produção intelectual daqueles que ainda acreditavam na potencialidade da cultura nesta cidade. Será que existem apenas 34 gênios na cidade, em contrapartida a 100 ingênuos imbecis?
JULIO ERNESTO BAHR é publicitário, escritor e blogueiro





