Recentemente visitei o Paraguai, fazendo parte da Missão Empresarial Brasil – Paraguai, com o objetivo de conhecer a realidade do país vizinho e seu Programa de Maquila, montado para atrair empresas estrangeiras, exigindo baixo índice de nacionalização.
Lançado há alguns anos, o programa tem atraído a atenção de industriais brasileiros e já conta com muitas indústrias em operação. Os organizadores da viagem esperavam contar com um grupo de 60 empresários e foram surpreendidos com 180 inscrições, que só não foram em número maior porque tiveram que suspender as inscrições antes do prazo previsto por problemas logísticos, pois faltariam passagens e hotéis.
O sucesso da missão nos leva a uma reflexão: por que tanta gente interessada na viagem, se cada um pagou sua despesa, teve que se ausentar quatro dias da sua empresa e não houve insistência para vender os pacotes, apenas um e-mail que comunicou que haveria essa oportunidade. As inscrições foram espontâneas e vieram de seis estados, RS, SC, PR, SP, DF e MS. Conversando com os empresários, ouvi deles a mesma história, queriam conhecer um lugar onde pudessem produzir sem ter que enfrentar diariamente entraves como os que encontram no Brasil.
Ninguém aguenta tanta tributação, tanta burocracia, custos elevados e uma legislação trabalhista que está aniquilando o setor produtivo, além da total falta de apoio, comprometimento e parceria do Estado brasileiro com o setor produtivo. Não temos no Brasil uma filosofia que pregue o apoio do poder público ao setor produtivo, diferente do que acontece nos países desenvolvidos. Há um reclamo geral, parece que os limites estão se esgotando para muitos e já se esgotaram para alguns.
Não conseguimos ser competitivos e grande parte dessa deficiência vem das políticas públicas nas mais diversas áreas. Fica até difícil saber o que é burocracia e o que é falta de comprometimento com os que produzem. Quando o correto seria a administração pública trabalhar na simplificação, desobstruindo canais e valorizando a produção, o que vemos é uma luta insana para vencer todos os obstáculos que são colocados no caminho pela três esferas de governo: federal, estadual e municipal.
Eu, pessoalmente, fiquei muito preocupado e entristecido por constatar que vivemos um momento muito complicado e podemos enfrentar muitos problemas no futuro se nada for mudado.
O Paraguai apresentou um cenário empresarial estimulante para o grupo. Não há burocracia, abre-se uma empresa em 18 dias, a tributação é inferior à metade da nossa, os custos trabalhistas são muito menores em razão dos encargos sociais serem reduzidos, a mão de obra é preparada em programas como o nosso Senai e com a ajuda das empresas se torna apta em pouco tempo. A energia elétrica é abundante e uma das mais baratas do mundo. O mais importante de tudo é o fato do governo estar motivado e preparado para agir como parceiro do setor produtivo, diferentemente do que ocorre no Brasil. Pelo que pude perceber, o Paraguai está muito mais internacionalizado que nós. É mais fácil comprar e vender para o resto do mundo.
Temos problemas graves para resolver, veja o que ocorre na área trabalhista onde temos mais de 2 milhões de ações por ano, contra 2,5 mil do Japão e 75 mil dos EUA, mesmo sendo a maior economia do mundo e ter uma vez e meia a nossa população. Alguém está errado e não acredito que sejam eles. Levamos de seis meses a um ano para abrir uma empresa e um prazo infinito para fechar. O que ouvimos, na viagem, não foi dito pelo governo, veio de empresas privadas brasileiras, de entidades como a Sociedade Rural e a União Industrial Paraguai, portanto, cabe uma reflexão, seguida de ação para que não haja uma debandada das empresas brasileiras. O sinal amarelo está aceso, é bom prestar atenção.

ARY SUDAN é empresário

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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