As universidades brasileiras acumulam sólidas e diversificadas experiências institucionais em atividades de extensão junto às diferentes comunidades e grupos sociais. Transpor os muros de faculdades, laboratórios, centros de pesquisa, museus e salas de aula tem sido meta constante, facilmente observada em todas as áreas do conhecimento e nos cursos de graduação e de pós-graduação.
A extensão universitária, ao lado das ações de ensino e de pesquisa, busca a aproximação da realidade cotidiana, das oportunidades e das necessidades sociais. O objetivo é oferecer à população benefícios concretos do conhecimento alcançado em anos de trabalho de professores, pesquisadores, estudantes e equipes técnicas e administrativas. No Brasil as universidades públicas são pioneiras e proeminentes na extensão universitária.
Exemplo feliz dessa atuação reside em ações e projetos junto às comunidades indígenas. Não apenas na região amazônica, mas também no Sul e Sudeste, como no Paraná. A recente Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas abriu possibilidades de ação das universidades pela viabilização econômica e social da diversidade étnica e cultural, característica das populações indígenas no Brasil.
Aqui as nossas universidades são privilegiadas, em oportunidades e desafios para a elaboração de novos conhecimentos, pesquisas originais e inovadoras. O seu caráter pode ser multidisciplinar e aplicado, de pesquisa básica e teórica, de experimentação no atendimento de necessidades e demandas dos povos indígenas. A extensão universitária trilharia inúmeros caminhos no encontro com populações tão discriminadas e desassistidas.
Os programas institucionais para a organização de Empresas Juniores em todas as áreas e cursos têm sido outra experiência fecunda na extensão universitária. Eles mobilizam alunos, professores e técnicos, estimulam a criatividade intelectual, criam situações de ensino e avaliação de conhecimentos, geram serviços e produtos acessíveis, novos, melhores e mais baratos. Empresas Juniores articulam bem ensino, extensão e pesquisa. As ciências humanas são convocadas na organização de cooperativas e empresas sociais.
As ações e programas dedicados ao patrimônio e acervos culturais são dinamizadores das atividades de extensão. Um campus universitário já é, por si, espaço de áreas verdes, árvores, flores e pássaros, um jardim botânico. São espaços promissores aos projetos de educação ambiental. O meio ambiente é um campo de estudo multidisciplinar que sempre aguarda mais pesquisas, tecnologias e orientação científica para uma gestão adequada.
As universidades possuem acervos e coleções variadas em bibliotecas, arquivos, herbários, museus, espaços e patrimônio edificado. A preservação da memória coletiva e das identidades sociais, requer estudos e intervenções permanentes em recuperação, restauro e promoção do patrimônio. Estas atividades são laboratórios na formação profissional, lazer, turismo, qualidade de vida, diversidade social e natural.
São pontos de partida para práticas, reflexões e cidadania na extensão universitária.

PAULO HENRIQUE MARTINEZ é professor no departamento de História da Universidade Estadual Paulista em Assis (SP)

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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