Mais médicos e dignidade

O programa "Mais Médicos" pode até ter suas virtudes e necessidade, mas em relação aos profissionais cubanos encobre uma atmosfera mal cheirosa porque visa, claramente, dividendos eleitoreiros nas eleições que se aproximam. E porque também atropela uma série de princípios éticos, humanos, morais e a própria legislação trabalhista.
A Constituição do Brasil foi, descaradamente, desmoralizada. Cuba descobriu outra forma de tráfico escravo. Uma inédita diáspora escravagista acontece não na forma de trabalho braçal forçado, como aconteceu no mundo em diversas ocasiões e a História nos ensina, mas dissimulando, de maneira permissiva e torpe, o tráfico de labor especializado configurado em molde de angariar fundos para enriquecer ainda mais a oligarquia cubana corrupta, amoral, ditatorial. Isso à custa do suor de profissionais da Medicina que ganham uma parcela mínima de seus honorários apenas para sobreviver no país que os acolhe, enquanto que a maior parte dos dividendos do seu esforço destina-se ao governo cubano. E a autoridade brasileira compactua, inescrupulosamente, de tamanha infâmia.
Trata-se de uma indústria lucrativa cujo produto final é o trabalho de profissionais médicos. Tudo isso associado às ameaças que o fidelismo impõe àqueles trabalhadores e suas famílias caso não regressem após o término do contrato ou debandem para outros países. É uma desonra para o Brasil.
Médicos cubanos, ou de outras nacionalidades, que aqui vieram para contribuir com seus conhecimentos e auxiliar a população carente de profissionais da Saúde em regiões necessitadas, deveriam ser protegidos pela mesma Lei Magna que rege os direitos e deveres do cidadão brasileiro. É uma questão de direito, civilidade, lei, humanidade e, sobretudo, dignidade.

ALVARO AUGUSTO DOMINGUES DA SILVA É médico em Londrina





O papel da psicanálise


Muitos acreditam que o papel da psicanálise é totalmente diferente do que é na realidade. Alguns acreditam que isso é coisa de louco, que se trata de algo para os manicômios. Outros que é coisa de fresco e de quem não tem o que fazer. Alguns ainda veem a psicanálise como algo mágico que vai trazer soluções para suas vidas. Não só a psicanálise é frequentemente vista de forma errônea como também há bastante preconceito para com ela.
A psicanálise não é só para os loucos, mas para o ser humano. É trabalho sério e não é mágica. Seu papel é possibilitar a criação de um espaço onde uma pessoa possa vir a se compreender. Parece pouca coisa, porém é algo grandioso e necessário. Quem não se compreende, se engana e adoece mais fácil. É que quem não se entende fica preso em muitas armadilhas e fica fadado à repetição. A psicanálise nos ajuda a dar um significado para o que acontece internamente e que não é visto claramente.
Algumas vezes temos determinadas atitudes que nos causam mal e, pior do que isso, é ficar sempre a repetir essas mesmas atitudes. No espaço da análise pode-se encontrar o significado por detrás dessas atitudes, saber da sua origem e com isso possuir meios para se livrar delas, para se reconstruir de outra forma onde a vida é prazerosa. Ao dar um sentido a sentimentos e emoções sufocados, a psicanálise permite uma mudança na vida.
O benefício da psicanálise não é só individual, mas é social também. Afinal, indivíduos mais saudáveis transformam o ambiente a sua volta. Uma pessoa que se compreende e se reconstrói acolhe melhor seu mundo e tem muito mais inteligência e sensibilidade para provocar mudanças que se fazem necessárias. O preconceito que existe contra a psicanálise é devido ela buscar a verdade e não a enganação. Se deparar com a própria verdade nunca é fácil e a tendência de querer se enganar é sempre grande. No entanto, isso só forma pessoas doentes e pessoas desse tipo contribuem de maneira negativa para a sociedade. A psicanálise tem um papel importante a cumprir na dimensão individual e na social.

SYLVIO DO AMARAL SCHREINER É psicoterapeuta em Londrina

Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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