ESPAÇO ABERTO
Cartórios: por que a demora?
Sergio Senise
Ingressei no ramo imobiliário em 1978, época em que Londrina vivia uma grande febre imobiliária. Havia apenas com três cartórios de registros de imóveis. Toda movimentação de escrituras e certidões era anotada em fichas e depois transcritas utilizando máquina de escrever. O prazo para os devidos registros das escrituras, no caso da venda, era de 30 dias, mas às vezes esse prazo era reduzido para dez dias ou menos. Tudo dependia do movimento do cartório e da boa vontade dos funcionários.
O mundo mudou nesses últimos 30 anos, fomos à Lua várias vezes, temos contatos imediatos em qualquer parte do mundo, a informática veio para agilizar o processo e o progresso chegou junto com ela.
Os cartórios se informatizaram, foram criados outros tantos em nossa cidade e o prazo continua 30 dias para registros, dez dias para certidões e se, por acaso houver algum erro, mesmo sendo por parte dos cartórios, o processo retorna ao início da fila e estabelecem novo prazo.
Num volume atual de vendas, onde toda liberação de numerários - seja por financiamentos ou vendas à vista - depende desses registros, imaginem o prejuízo que vendedores, compradores, imobiliárias, corretores, construtoras, comércio, etc., têm com a demora da circulação desses valores.
Fico sem entender o motivo e gostaria que pessoas que tenham melhores informações expliquem por que tal demora. Será obrigatoriedade de prazo? Falta de mão de obra? Falta de vontade? Seria excesso de poder onde os cartorários se tornaram detentores dessa concessão e se sentem imexíveis e nós, pobre mortais, ficamos sem direito a quem reclamar?
Devemos nos unir (sindicatos dos corretores, dos construtores e demais envolvidos) e cobrar de quem de direito por reduções de prazos para que os benefícios surjam para todos.
SÉRGIO SENISE É corretor de imóveis em Londrina
Desenvolvimento londrinense
Jean Marcel Ragugnetti Furlaneto
A reportagem "Indústria muda economia de pequenos municípios" (Economia, 6/2) reacendeu uma antiga discussão: o desenvolvimento de Londrina. A reportagem cita exemplos de cidades pequenas que têm obtido excelentes índices econômicos alavancados por investimentos públicos e privados em industrialização. É notório, que o prefeito Alexandre Kireeff tem exercido forte relacionamento com a população mediante redes sociais. Em duas oportunidades, aproveitei para argumentar a ele que, muito embora seja necessária a abertura de novos cursos superiores técnicos em nossas instituições, é preciso que se crie oportunidades para que a mão de obra qualificada se fixe na cidade, gerando desenvolvimento. A resposta do prefeito foi de que meu pensamento estava errado, visto que primeiro era necessário criamos os tais cursos, para aí sim atrairmos indústrias para absorver este contingente.
As cidades citadas na reportagem da FOLHA, salvo engano, não possuem cursos superiores para que atraíssem investimentos. Fica claro que para se desenvolver de forma eficaz uma região, é mais do que necessário criar oportunidades de emprego, gerar divisas e aquecer a economia local com instalação de empreendimentos desde os mais simples até os mais complexos. Indústrias não geram apenas empregos diretos e indiretos, mas também divisas sob a forma de impostos, desenvolvimento de seu povo, aquecimento da microeconomia local, geração de novas empresas para prestar serviços às demais instaladas, etc.
Recentemente, estudos mostraram a guinada que Maringá deu em seu desenvolvimento. Hoje estamos relegados a segundo plano no cenário estadual. Temos o porte de uma cidade capaz de gerar uma região metropolitana e um desenvolvimento pífio digno de um vilarejo. Vontade política? Incentivos fiscais? Mão de obra qualificada? O que nos falta, talvez, seja uma soma de fatores. Mas a continuarmos nesse ritmo, em breve bastará se cercar e instalar um ar-condicionado e seremos um grande shopping center, no qual as pessoas vem passear e vez ou outra deixar um pouco das divisas geradas em suas cidades.
JEAN MARCEL RAGUGNETTI FURLANETO É engenheiro químico em Londrina
Os artigos devem conter dados do autor e ter no máximo 3.800 caracteres e no mínimo 1.500 caracteres. Os artigos publicados não refletem necessariamente a opinião do jornal. E-mail: opiniao@folhadelondrina.com.br





