Para além do direito autoral


Chega a Londrina o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad). O Ecad é uma estrutura formada com o intuito de, em tese, garantir a produção cultural e "regular" o mercado da música. Ou seja, fazer com que o trabalho do profissional não seja apropriado indevidamente. Como músico amador e alguém que vislumbra a suplantação da mercantilização da arte, discordo disso. Músicos profissionais não são em sua maioria somente músicos. Os shows, bailes de formatura, aulas e "bicos" pagam, com esforço, os custos. Para esses, soa bem garantir que seu trabalho renda direitos autorais, afinal os recursos são tão escassos que dispensá-los poderia ser considerado suicídio. A profissão é muito cara e necessita de estudo constante, aulas e ensaios, como qualquer outra. Os bons equipamentos também são custosos, estão além do poder de compra da maioria da população – inclusive dos músicos.
Sou músico amador, toco por lazer, embora não deixe de receber por isso. Grana pouca, nem dá para a manutenção das bandas, ensaios, cordas e transporte. Mas poderia ser diferente, e a ideia de receber - segundo padrões de cobrança nebulosos - por produções que em uma sociedade diferente poderiam ser de livre acesso me intriga demais, ainda mais se levarmos em conta que o Ecad existe para todos, mas as possibilidades de rentabilidade digna a quem vive exclusivamente da arte, não. Gostaria, por exemplo, de ouvir falar no aumento de verbas públicas a músicos independentes. Em Londrina, o Promic cobre muito pouco com seu orçamento reduzido. O formato de editais como única forma de ação da Secretaria Municipal de Cultura tornou a prefeitura uma simples gestora de projetos. Resultado: se seu projeto não entrar no edital, não resta mais nada a se fazer.
Não sou contrário aos direitos autorais, mas não é algo que retira os músicos independentes da marginalidade no sentido da garantia de uma independência financeira. Como manter produção intelectual e a patente musical sem receita? Cadê o financiamento de obras, a divulgação das "pratas da casa"? Não temos, nunca tivemos. Nunca teremos?

WILLIAN CASAGRANDE É jornalista em Londrina





Só indignação não basta!

É de arrepiar, causa espanto, indignação..... e só? Quantos de nós já não fizemos essa pergunta a outrem ou ainda a nós mesmos? Estamos vivendo momentos de pura apatia. Somos passivos a tudo. Aceitamos o que vem de cima, acreditando que sempre foi assim, que nunca vai mudar, que esse país não tem jeito.
Segundo Martin Luther King, "o que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons". Enquanto ficarmos agindo como se não fosse conosco, deixando de assumir nosso papel perante a sociedade, ficaremos ruminando essa condição que beira o insustentável. Pelo visto, ficaremos aguardando a próxima liberação de verbas, o aditivo ao contrato em caráter emergencial ou ainda a falta de leitos de UTI, sem nos esquecermos ainda da UTI neonatal fechada por "falta de recursos".
Enquanto isso, cinegrafista morre no pleno exercício de sua função e a sociedade se dá por satisfeita na condenação de dois "bois de piranha"..... ou não? Será que o fabricante do artefato explosivo não tem sua parcela de culpa? E a lei que permite a venda desse produto, bem como seu legislador, não seria este corresponsável?
E como não poderia deixar de ser, novas praças de pedágio em rodovias já existentes (com valores escorchantes) e salas de aula devidamente "climatizadas", afinal os aparelhos de ar-condicionado já foram adquiridos, e se não foram instalados, aí o problema deve ser, quem sabe, do porteiro da escola! Deve ser porque, neste ano, o Carnaval é só em março, e até lá...

ADOLPHO ANDRADE BOBROFF FILHO É administrador de empresas em Londrina.

Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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