O debate livre e independente é atividade que faz parte dos fundamentos da democracia. Os países mais desenvolvidos do mundo se caracterizam pela capacidade de fazer convergir as diferenças em torno de objetivos comuns. Por isso, embora baseados em sociedades que contêm inúmeros e diferentes pontos de vista, conseguem desenvolver um espírito construtivo que beneficia a todos.
No Brasil, a falta de confiança entre os diversos setores da sociedade dificulta a obtenção dessa maturidade que faz tão bem à democracia.
Londrina, para nossa sorte, conseguiu construir uma história que se diferenciou da média nacional ao estabelecer um equilíbrio entre os diversos interesses individuais e de grupos em prol do interesse maior, que é o coletivo.
Infelizmente, porém, percebemos que essa característica vem se perdendo também por aqui. Hoje em dia, para aqueles que investem, acreditam e contribuem são atribuídos os piores nomes e as mais feias intenções. Estamos no tempo do "sou contra" alguma coisa e não do "ajudar a construir" aquilo que se acredita o melhor para todos.
O insucesso é comemorado, acusações são assacadas a todo o momento e a cidade vai perdendo aquela vitalidade que tanto tempo nos diferenciou. Assim, desestimula-se o empreendedorismo, a ousadia e a livre iniciativa.
Com isso, perdemos também o melhor que a democracia pode nos dar: a somatória dos esforços e habilidades de cada um. Sim, porque o desenvolvimento econômico, social e cultural é construído pelo bem que cada cidadão entrega à sociedade. E para que cada um dê o seu melhor, é necessário que se acredite no outro, que se saiba respeitá-lo e por ele ser respeitado. Quando há essa credibilidade mútua, nasce a cooperação, o entendimento e a soma de resultado positivo.
Por outro lado, se cada boa ação é alvo de todo tipo de crítica, ignorando-se a intenção com que foi praticada, para se prender a detalhes que podem - e devem - ser solucionados se surgirem no meio do caminho – afinal, errar é humano, e corrigir o erro também -, então, diante desse espírito negativo, todos se retraem. O empreendedor procura outra cidade para investir; o cidadão comum se desestimula de uma ação voluntária que gostaria de fazer; o bom político vai perdendo aquele anseio de se diferenciar dos maus políticos; e daí por diante. Resta, neste caso, um ambiente de marasmo, de acomodação e de monotonia.
Será que isso tem a ver com o momento atual de nossa cidade? Infelizmente, creio que sim.
Mas, como otimista inveterado que sou, acredito que temos o poder e a capacidade de mudar este estado de coisas, restabelecendo o espírito de cooperação e o altruísmo que nossos pioneiros nos legaram.
Num momento em que empreendimentos que ajudei a impulsionar e desenvolver sofrem os ataques mais vis, quero declarar publicamente que não iremos desistir de Londrina. Aquilo que é feito com honestidade e princípios não se abala com mentiras e acusações infundadas. Nossas portas estão – e estarão – sempre abertas.
Aproveitamos esse momento para reafirmar a crença nos valores e no poder de nossa história. E convidamos a todos para aproveitar esse momento de dificuldade resgatando o que Londrina tem de melhor: o espírito pioneiro e cooperativo de seu povo, as ações em prol do desenvolvimento comum e a construção de uma cidade que dê orgulho aos nossos antepassados, aos que aqui hoje estão e aos nossos filhos e netos que virão.
É tempo de mudar!

RAUL FULGÊNCIO é imobiliarista e empreendedor em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

mockup