ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Áureo Shizuto Cinagawa 
Podemos dar crédito às inúmeras informações veiculadas sobre a saúde? Como avaliar a veracidade e a credibilidade dessas informações, mesmo que sejam divulgadas por tradicionais meios de comunicação?
É claro que pessoas acometidas por uma doença estão mais vulneráveis e inseguras em escolher os caminhos adequados para uma decisão correta.
Não é fácil racionalizar as informações, assimilá-las e planejar as ações para estes assuntos que não domina bem.
Mas os médicos utilizam ferramentas conhecidas como protocolos terapêuticos. São as diretrizes a serem seguidas pelos profissionais para cada caso clínico, como um mapa estratégico, baseadas em evidências científicas.
Tais planos de ação são necessários visando a excelência, elegendo a melhor conduta para a eficiência e eficácia terapêutica.
Não existem soluções milagrosas, nem novas técnicas que sejam melhores que as já existentes, como se estas fossem ultrapassadas.
Também não existe alguém extraordinário que se apresente como detentor de novos conhecimentos e que esteja acima dos profissionais envolvidos.
Na Medicina, os novos conhecimentos são incorporados aos protocolos sob critérios extremamente rigorosos.
Segundo o professor Mauro de Rezende Lopes (Fundação Getúlio Vargas), fonte Saúde e cidadania (www.saúde.sc.gov.br) os protocolos clínicos devem ter:
a) validade: forte evidência com resultados;
b) reprodutividade: ser exequível por diferentes profissionais;
c) aplicabilidade: ser relevante e ter permeabilidade social;
d) flexibilidade: adaptado ao julgamento do profissional e o paciente;
e) clareza: de fácil compreensão e linguagem acessível;
f) multidisciplinar: com envolvimento amplo de diferentes áreas;
g) atualizado: refletir a evidência mais recente;
h) documentado: com publicação em meios científicos para ser aperfeiçoado com críticas e sugestões.
Além disso, os órgãos reguladores oficiais e o Conselho Federal de Medicina (CFM) tem atuado firmemente para que sejam corrigidas muitas distorções oferecidas a varejo, com o firme propósito de defender a sociedade contra os abusos e evitar riscos.
Merecem atenção especial as terapias não convencionais que estão aquém dos padrões científicos e não se enquadram nos protocolos existentes.
Ao profissional médico compete individualizar os conhecimentos científicos disponíveis e elaborar a conduta e a terapêutica adequada para cada paciente.
O sucesso desses protocolos - tal como um empreendimento - é mais efetivo com participação ativa de um paciente responsável e comprometido com foco em saúde, para que o cenário futuro lhe seja favorável.
ÁUREO SHIZUTO CINAGAWA é médico especialista em Ortopedia e Traumatologia em Londrina
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