Opinião Atualizado em 10/02/2014, 00:01
ESPAÇO ABERTO
Para onde vai nosso dinheiro? Infelizmente, não me surpreendi ao ler a notícia de que a arrecadação tributária do mês de dezembro de 2013 será, ao que tudo indica, um número recorde para o ano, superior ao número absurdo de R$ 112,5 bilhões que foram para os cofres públicos em novembro. A previsão, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, é que dezembro atinja o número de R$ 116 bilhões em impostos pagos pela população. Se o ministro estiver certo, a arrecadação total do ano vai ficar em R$ 1,135 trilhão, 10% a mais que no ano de 2012, quando o resultado somou a quantia de R$ 1,029 trilhão. O surpreendente é que o Brasil atinja essa carga tributária em um ano que foi considerado, pelos especialistas e empresas, um período de economia fraca e de anúncios de redução de impostos pelo governo. Acredito que todo brasileiro deve se perguntar o que estão fazendo com o meu dinheiro? Quando precisamos de infraestrutura adequada, de saúde (ou esperamos meses na fila por uma consulta ou pagamos fortunas em clínicas particulares e planos de saúde) ou ainda quando queremos boa educação não vemos este retorno do que é arrecadado. No caso do setor de transporte rodoviário de cargas, então, nem se fala. Até porque não é preciso ser transportador para refletir sobre a péssima condição das estradas e rodovias brasileiras. Todo brasileiro que tem um carro paga, todo o ano, o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), seguro obrigatório e licenciamento anual. Neste ano, o valor previsto de arrecadação com o IPVA é de R$ 3,06 bilhões. Se fosse somente isso e as estradas estivessem em boas condições de uso, até seria aceitável. Mas hoje o brasileiro não consegue trafegar por uma rodovia sem pagar pedágio, a maioria deles com valores altíssimos. E isto, claro, encarece o valor do frete cobrado. E quem paga a conta é o nosso país. Diante de tudo isso, a pergunta continua sem resposta e os brasileiros ficam sem saber para onde está indo o suado dinheiro que ganham. GILBERTO CANTÚ é presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Paraná (Setcepar)
Iguais saúdam os iguais Uns inventam medicamentos que curam e sistemas que facilitam o trabalho e a vida das pessoas e proporcionam bem-estar. Outros extraem das fontes sombrias a bomba atômica e armas manuais que matam com precisão. O que estamos fazendo aqui neste mundo de terceira dimensão? Alguma razão existe. Sabemos que este ponto situado nas bordas do sétimo universo é um lugar de experimentação, aprendizado, provação e aperfeiçoamento, e certamente por isso vivemos em meio ao bem e ao mal. Um russo, Mikhail Kalashnikov, inventou em 1947 a mais eficiente arma matadora de mão, o fuzil AK-47, adotado por 80 países guerreiros. Foram produzidos 100 milhões de exemplares, e se cada um tenha matado um, foram 100 milhões de mortos. Mas deduz-se que o número é maior. Ao morrer no fim do ano passado, aos 75 anos, Mikhail recebeu homenagem na Rússia, com todas as honras militares e a presença do chefe de Estado Vladimir Putin. Assim são os homens e assim caminha a humanidade... Os iguais saúdam seus iguais, da mesma forma que grandes assassinos são saudados com respeito pelos seus pares. Políticos ladrões recebem auxílio e são defendidos pelos seus adeptos. Da mesma forma, os sensatos saúdam os benfeitores da humanidade. Mikhail não chegou a terminar o ensino médio. Mas também luminares das mais conceituadas universidades mundiais, portanto com vasto currículo escolar, perfilam entre os executivos que cooperam nas estratégias de guerra. Foram homens de grande saber que produziram as bombas que destruíram as cidades e a gente de Hiroshima e Nagazaki. Isso põe por terra a exaltação da doutrina da educação, nos moldes existentes, como salvadora do mundo. Porque apenas acúmulo de conhecimentos não significa uma garantia de formação de caráter. É nessas duas bifurcações que os pedagogos e os pseudos entendidos em ciência da educação se equivocam. WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina
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