ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de fevereiro de 2014
João Chiminazzo Neto 
Este "Espaço Aberto", que a FOLHA democraticamente proporciona, abriu oportunidade para que, na última quarta-feira, fosse publicado artigo assinado pelo servidor público Antonio Valeriano Antunes Lopes acerca do sistema de concessões rodoviárias do Paraná. Em respeito aos leitores deste jornal, vejo-me na obrigação de, como diretor regional da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR-PR/SC), contraditar afirmações do articulista face aos inúmeros erros de informação.
Diz o articulista, já nas primeiras linhas de seu texto, que as tarifas de pedágio praticadas no Paraná são "as mais elevadas de todo o País". Engano total e absoluto: de todas as sete concessões estaduais existentes no Brasil, só apresenta custos pouco mais baixos do que os do Paraná, o estado da Bahia.
Esclarecida a primeira desinformação, vamos a uma outra a de que "os contratos [...] foram elaborados com maestria, respeitando-se a regra de ouro do equilíbrio-econômico financeiro". Esta afirmação peca pelo primarismo, pois não há empreendimento privado aqui ou em qualquer lugar do mundo em que o empreendedor não busque o devido equilíbrio econômico-financeiro. Mesmo o dono de um pequeno estabelecimento comercial um boteco, para citar um exemplo extremo estará fadado à falência rápida se não adotar medidas que assegurem o equilíbrio de suas contas.
Por outro lado, deve saber o articulista que a "regra de ouro", a que se refere, foi quebrada já nos primeiros 30 dias de vigência efetiva dos contratos, quando o poder concedente isto é, o governo do Estado , em medida unilateral, reduziu à metade do valor das tarifas. A recomposição só se deu cerca de três anos depois quando os contratos originais foram repactuados, mas novamente, ao longo dos oito anos seguintes, o que menos se respeitou foi a tal "regra de ouro".
O articulista também demonstra ignorar a realidade ao afirmar que as obras rodoviárias se limitaram a "algumas terceiras pistas, pinturas de meios-fios e podas". Parece desconhecer a duplicação de 300 quilômetros de rodovias, a realização de uma infinidade de obras de recuperação, conservação e modernização das estradas paranaenses e o compromisso de duplicar outros 600 quilômetros até o final do contrato.
É lamentável também perceber a falta de memória, pois não faz nenhuma menção ao total estado de sucateamento em que se encontravam as mais estratégicas rodovias paranaenses antes das concessões. Não há exagero em afirmar que a economia do Paraná teria regredido se a iniciativa privada não tivesse construído uma nova realidade, que coloca o Estado, hoje, como detentor de rodovias que figuram entre as melhores do país, como demonstram inúmeras e respeitáveis pesquisas.
Essa nova realidade não surgiu do nada. Ela aconteceu porque as concessionárias investiram nas rodovias nada menos de R$ 3 bilhões, seguramente o maior volume de recursos já aplicados em obras de infraestrutura e logística no Estado nas últimas duas décadas.
Por fim, sequer merecem comentário as acusações com que o autor encerra seu malfadado artigo, quando atribui ao pedágio a prática de crimes como estelionato e assalto. Não fosse a notória irresponsabilidade e o total desconhecimento do signatário a respeito do assunto a que se dedicou, este trecho do seu artigo poderia merecer o devido tratamento jurídico. Não o faremos. Estamos mais interessados em promover o desenvolvimento do Paraná e em colaborar com os esforços empreendidos pelo governo do Paraná e que resultem, de fato, na redução das tarifas e na multiplicação das obras. Este é o nosso compromisso com a população do Paraná e do qual nunca nos afastamos.
JOÃO CHIMINAZZO NETO é diretor regional da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias(ABCR-PR/SC)
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