ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de fevereiro de 2014
Antonio Valeriano Antunes Lopes 
De estradas pedagiadas, pressupõe-se excelência, serviços de primeira grandeza, pronto atendimento e muito mais, mas isso não se encaixa nos padrões paranaenses. Em nosso belo e progressista Estado, as tarifas são altíssimas, absurdas, assombrosas, excessivas e, sem exagero, as mais elevadas de todo o País.
Os contratos, pelo que se vê e por tudo que se ouve, foram elaborados com maestria, respeitando-se a "regra de ouro" do equilíbrio econômico financeiro. Não se pode duvidar do brilhantismo das peças, pois, o propalado equilíbrio é, na verdade, um claro, descarado e aviltante desequilíbrio que, de tão imparcial, o tal equilíbrio, se torna parcial e, por consequência, desequilibrado, cujo ônus cabe, como sempre, ao povo.
Pagamos, e muito, para obras nenhuma, a não ser que algumas terceiras pistas, pinturas de meios-fios e podas, sejam obras de infraestrutura. Nem do asfalto pode-se dizer que tenha boa qualidade (com muito empenho é, no máximo, razoável).
Não deixa de ser, igualmente vergonhosa, a incidência de tributo municipal sobre a tarifa; é meio assim, para um ignorante como eu: tributo sobre "tributo" (alguém poderá dizer que é preço público ou prestação de serviços, paciência, é o que é).
Além disso, somos obrigados a escutar uma lengalenga, para lá de repetitiva: "CPI do Pedágio", investigação, blablablá e o representante das concessionárias que, sempre cheio de razão e muito bem "calçado", não perde a chance de subir no pedestal e, sob as luzes, discursar sobre a legalidade das tarifas, das majorações, do cumprimento dos contratos, etc.
Onde estão as duplicações? E o famoso "baixa ou acaba"? Viadutos? Trincheiras? Querem ver como funciona melhor e com mais qualidade: Deem uma chegada em nosso vizinho estado de São Paulo, que quer queiramos ou não, ainda é a locomotiva desse país (PIB 30%), e vejam como são as estradas pedagiadas pistas duplas, às vezes, triplas, trincheiras, viadutos, asfalto de boa qualidade e tarifa menor que a nossa. É certo que também poderia, e deveria ser melhor, mas, mesmo assim, nos "goleia" com imensa facilidade.
Por não nos espelharmos em boas coisas ao invés de fazer tudo pela metade e com qualidade duvidosa. Brindamos o povo com tarifas "padrão Fifa" e estradas padrão várzea, isso mesmo, tarifas "maiúsculas" e estradas "minúsculas". E, assim, continuamos a "engolir" mutretas, armações, enganos e silêncio, enquanto as empreiteiras/concessionárias enchem os bolsos e "empurram o resto com a barriga".
Pedágio "abre" portas, "compra" benefícios, facilita, "faz rir" e muito mais. Aqui, pedágio "cheira" a estelionato, cumplicidade, assalto e desrespeito ao que, de fato, somos: um povo espoliado, satisfeito, manso e frouxo, que se contenta com "esmolas" (pintura de meio-fio, por exemplo) e que ainda agradece. Afinal, dizem, poderia ser pior.
Desdenhando de tudo e de todos, nos ignoram, subjugam e transformam nossa dignidade em mera peça de retórica.
Em nosso Estado, o pedágio é, sem quaisquer sombras de dúvidas, o pedágio da vergonha.
Como disse Martin Luther King: "Eu também sou vítima de sonhos adiados, de esperanças dilaceradas, mas, apesar disso, eu ainda tenho um sonho, porque a gente não pode desistir da vida".
ANTONIO VALERIANO ANTUNES LOPES é servidor público em Londrina
■ Os artigos devem conter dados do autor e ter no máximo 3.800 caracteres e no mínimo 1.500 caracteres. Os artigos publicados não refletem necessariamente a opinião do jornal. E-mail: opiniao@folhadelondrina.com.br


