ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Sérgio Cintra Feijó 
Ë interessante como os meios de comunicação vêm ratificar aquilo que já é uma percepção da população há bastante tempo. O saber popular sobrepõe em muitas vezes aquilo que é divulgado e tratado pelos órgãos competentes como informações complexas ou de difícil compreensão. Pura displicência pela sabedoria e conhecimento daqueles que garantem o consumo, ou ainda, que é pior daquelas que são geradoras de riquezas, também conhecidas como empresas.
Não é necessária a publicação de informações que divulguem à população que a economia cresceu menos, que a indústria deixou de investir, que a previsão de crescimento agora é menor e tantas outras, que na verdade querem dizer: a geração de emprego está sendo menor e nós (governo), estamos gastando mais do que devíamos.
E por que isso acontece dessa forma tão predatória? Livre de contextualizações político-partidárias ou qualquer outro tipo de embate, essa matemática é bem simples. Funciona assim:
- impostos em demasia + juros altos elevados à corrupção e incompetência de gestão + inflação = custos elevados de produção;
- custos elevados de produção = aumento de importação + perda de competitividade do produto nacional;
- atividade industrial reduzida + desativação de empresas = desemprego e pobreza.
O sucateamento da indústria nacional é iminente. A venda de imagem de investimentos em indústrias, tal como a Petrobras, não é nada perto da grande gama de micros e pequenas empresas, que representam cerca de 99%, segundo o Sebrae.
Crise na saúde, crise na segurança, crise na educação, crise nos transportes (logística interna e externa), será que isso não reflete a falta de competitividade que o Brasil passa a ter? Se não temos investimentos em educação, princípio básico de desenvolvimento de qualquer país, não teremos mão de obra capacitada e qualificada, seja para comandar ou para empreender novos negócios que nos levem às condições reais de competir em qualidade e quantidade, produzindo e gerando riqueza verdadeira, por meio de uma gestão profissionalizada. O Brasil precisa de profissionais politizados e não de políticos profissionais. Indústria gera produção, produção gera emprego, emprego gera mais consumo, consumo gera mais produção e tudo isso gera mais arrecadação de impostos em volume e não em quantidade e variedade. É tão difícil a compreensão dessa equação?
Ainda sendo simbolicamente matemático, perdoem-me os profissionais da Matemática, mas elevando-se à enésima potência a variável corrupção e incompetência de gestão, então os resultados são mais trágicos ainda. Desconfiança de investidores estrangeiros, falta de fôlego de investidores brasileiros, falta de estrutura logística para o escoamento da produção, políticas fiscais e tributárias ineficientes e inúmeras variáveis que impactam diretamente nos resultados dos negócios das empresas.
A indústria gera riqueza! Qualquer estudante de área de negócios sabe disso. Divulgar que a área de serviços está crescendo é ótimo, mas à custa de quê? Porque a indústria está sendo sucateada e por questões de sobrevivência, o trabalhador deve buscar a sua subsistência migrando quantas vezes necessárias forem.
Para fecharmos o nosso raciocínio lógico e matemático, a pergunta é: por que a China tem crescimento de suas indústrias e consequentemente do seu PIB e nós temos o encolhimento das nossas e crescimento ínfimo? Note como a balança está descompensada.
A Matemática é a ciência exata! E quando falamos que as indústrias geram riqueza, há de termos cuidados, pois sabemos que dinheiro não leva desaforo para casa. A Argentina e Venezuela que o digam.
SÉRGIO CINTRA FEIJÓ é professor de graduação e pós-graduação e consultor de empresas em gestão e estratégia empresarial em Londrina
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