ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Sylvio do Amaral Schreiner Walmor Macarini 
Sentimento de solidão
Vivemos numa época de rápidas conexões, mas nunca nos sentimos tão sós. Estamos rodeados por pessoas e mesmo assim nos sentimos solitários. Até mesmo quando nos encontramos com muitos amigos podemos carregar o sentimento de solidão e nos sentir mal. Afinal, de onde vem esse sentimento? Nos primeiros meses de vida vivemos uma relação com a mãe muito significativa. Quando tudo vai bem entre mãe e bebê o relacionamento é sentido por este último como algo mágico. A comunicação é pré-verbal e funciona através da intuição, ou seja, a mãe intui o que se passa com seu bebê e trata de cuidar de suas urgências e necessidades. Nesses momentos o bebê jamais se sente solitário e nem tem medo da solidão. Com o tempo o bebê percebe que sua mãe tem vida própria e que não pode ficar à sua disposição 24 horas por dia. É o primeiro contato com a solidão e é assustador. É preciso desenvolver habilidades para se comunicar com o mundo externo, pois nem sempre haverá uma mãe para traduzir e interpretar o seu desejo. A criança descobre que tem que crescer e crescer é solitário.
Na vida adulta o sentimento de solidão está associado aos primeiros meses de vida. Queremos encontrar alguém ou algo que seja mágico e que nos traga uma sensação de completude. Buscamos cada vez mais ligações na intenção de encontrar a mágica perdida de antes. Só que isso não acontece e nem tem como acontecer. A vida do adulto exige que ele tolere a frustração de se contentar com ligações reais e possíveis e não mais esperar sobre o que não tem como existir. O sentimento de solidão existe quando esperamos por ligações mágicas. Provavelmente a origem e o sucesso das famosas redes sociais têm a ver com a exploração do sentimento de solidão. Em algum grau é até possível que elas consigam mitigar um pouco esse sentimento, mas nunca será completamente satisfatório. Sempre nos sentiremos sós. Esse sentimento só poderá ser mais ou menos resolvido à medida que usamos da comunicação verbal e aceitar todos os limites que ela implica, bem como tolerar relacionamentos reais e não mais se apegar ao impossível. Solidão sempre existirá, mas não precisa ser tão temida.
SYLVIO DO AMARAL SCHREINER É psicoterapeuta em Londrina
Dos conceitos de ciência
Um professor escreveu, na coluna "Opinião dos Leitores" dias atras, que astrologia não é ciência e sim pseudociência, o que exprime a ideia de coisa falsa. Refere-se certamente à "astrologia" dos horóscopos que lemos por aí - a astromancia. Mas se há um estudo que trata da influência dos astros sobre nosso planeta e - por extensão - sobre as pessoas e os demais seres vivos, as plantas, os oceanos, isto é ciência. A ciência oficial rejeita o que não se enquadra em seus parâmetros e aquelas coisas que, a seu modo, não têm comprovação científica. Essa área do conhecimento avançou muito, mas ainda engatinha e, portanto, tem muito ainda por pesquisar.
No caso dos horóscopos, é sabido que existem os que falam aleatoriamente, sem nenhum embasamento, mas a verdade é que tudo se move no universo e tem influência no conjunto cósmico e, portanto, também sobre a Terra e o que nela existe. A gente experimentada do campo sabe a época de plantar, tendo a lua como referência, embora não deva ser apenas este satélite o influente, mas toda uma conjunção astral desconhecida, que se manifesta mais facilmente, para nós, pelas fases lunares - as casuais sinalizadoras. O agricultor tem conhecimento de que, se semeia fora do tempo, a planta não vinga; e os madeireiros, da mesma forma, não fazem o corte de uma tora fora de época, porque sabem que tudo o que se construir com suas tábuas e vigas apodrece em pouco tempo; ou, ao contrário, dura centenas e até milhares de anos.
Essa é a ciência dos simples, que em muitos casos é vanguardista. Nós também somos dotados de uma alma - e estudamos isso pelos leis da ciência espiritual - mas a ciência acadêmica nunca se manifestou sobre isso. Deve ser por falta comprovação científica... Óbvio que os astros, a começar obviamente pelo sol, têm influência sobre nós, e o resultado das constatações acerca disso não é pseudociência. Esqueçamos os horóscopos, porque não se pode qualificá-los como estudo sério. Os cientistas podem dizer, sobre certas coisas, que tal não é do seu catálogo, mas não podem afirmar que não é ciência aquilo que, até por preconceito, eles se recusam a pesquisar.
WALMOR MACARINI É jornalista em Londrina
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