ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Marcos Liboni 
Vivemos em uma época onde o mal manifesto não tem precedente histórico. Chegamos a um ponto onde o imponderável se mostra, se materializa a nossa frente, deixando-nos à mercê dos bárbaros. Como tudo no Brasil, desenha-se os contornos de um estado revolucionário "de fato" onde a inversão dos valores morais mais básicos se mostra como "direito democrático".
Participei ingenuamente das manifestações de rua do ano passado como profissional de saúde, clamando ao nosso Estado atenção à saúde, solicitando providências dos nossos governantes e, sobretudo, dos nossos representantes legislativos e à Justiça, sobre os desmandos e atitudes imorais dos governos sobre a situação da saúde e medicina do Brasil. Ledo engano.
Utilizados como massa de manobra e manipulação política-ideológica, refleti com mais profundidade e vi que na realidade estava pedindo um estado mais forte e presente nas nossas vidas. Ao assistir passivamente ao circo de horrores instalado nas ruas nas semanas subsequentes, acabei por me absorver na rotina diária, mas como médico psiquiatra e professor, não tenho mais como me acovardar frente o que presencio na realidade.
As manifestações de rua no Brasil, obviamente manipuladas, tomam contornos de um movimento claro de expressão de ódio e intimidação à sociedade civil organizada que paga impostos e sustenta o "circo das bolsas assistencialistas brasileiro". Impregnados de uma insana, idiota e arraigada ideia de abusos do poder econômico pelo aumento das passagens de ônibus, muitos jovens que são órfãos de consciência civil e moral, além dos delinquentes que habitam a sociedade, saem às ruas para plantar o terror com a voz de "manifestações democráticas". Mas ao ver pessoas armadas, com os rostos tampados e partindo para a violência eu me pergunto: Isto é civilidade?
A nossa sociedade secular, abandonada historicamente pela elite econômica vil e narcisista, influenciada por décadas de teorias pseudo humanistas de "justiça social" criou uma monstruosidade que é a falta de limites nas ações e atitudes de grupos "revoltados". Esses jovens estão nas ruas para manifestar não somente (para alguns ingênuos como eu) a sua indignação com o abuso do poder econômico do aumento das tarifas de ônibus (cuja culpa na realidade é do governo que destruiu o delicado levante da nossa economia e que fez voltar a inflação, além de anos de péssima e psicopática má administração pública de Londrina), mas para exercer a sua falta de limites frente à sociedade, porque julgo que nas suas casas limites e educação nunca houve.
Depredar patrimônio alheio, sobretudo o que sustenta o estado, é a realização de um desejo perverso de acovardar a sociedade e plantar o terror na nossa cara. Como cidadão me resta clamar à Justiça e à polícia ações enérgicas e investigação aos bandidos que compõem essas massas. Como médico psiquiatra assisto à instalação do terror que aparenta um simulacro robesperiano e como professor de Medicina e Bioética, manifesto o meu escárnio e absoluta rejeição aos colegas professores que concordam e estimulam tais atos, seja ativamente ou passivamente, permitido o nascimento e o crescimento da semente do mal dentro da universidade que deve ser um ambiente de libertação do homem e elevação do espírito. Que Deus nos salve.
MARCOS LIBONI é médico psiquiatra e professor da Universidade Estadual de Londrina
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