ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Emerson Eduardo Zanin 
Platão, filósofo que viveu de 427 a.C. a 347 a.C., utilizou a linguagem mítica conhecida como o "Mito da caverna". Assim pretendia demonstrar de forma sucinta a condição do ser humano perante o mundo, em termos de conhecimento e o desejo de conhecer a própria ignorância e encontrar a sabedoria verdadeira.
Mas o que diz então a "teoria da caverna"? Convido você leitor a imaginar uma caverna na qual as pessoas estão aprisionadas desde o nascimento, amarradas sem poder mover a cabeça nem locomover-se, forçadas a olhar apenas a parede do fundo, onde o mundo exterior jamais viram.
Atrás deles há uma fogueira que lança sombras na parede para qual eles olham. Há também um caminho entre o fogo e os prisioneiros, onde pessoas andam, conversam e exibem vários objetos de modo que as sombras desses objetos são projetadas nas paredes do fundo da caverna; são imagens de homens, mulheres e animais entre outras. Como tais sombras são tudo o que os prisioneiros conhecem, eles não têm noção alguma sobre os objetos reais.
Certo dia, um dos aprisionados escapa. Estando fora da caverna, ficou cego com a luz do sol. Não demorou muito e logo ele pôde vislumbrar outro mundo, o mundo real. Voltar ao subterrâneo sombrio era o seu objetivo agora, convencer os demais a se libertarem era necessário. Encontrando-os não acreditaram nele, e o espancaram com a intenção de matar.
Refletindo sobre isso, digo que estamos vivendo hoje mais do que nunca a caverna de Platão. Somos prisioneiros dos padrões de beleza impostos pela indústria da moda e da estética, do consumismo, pois, em qualquer instante do nosso dia estamos consumindo alguma coisa, dos big brothers, alienados pelo vazio e pela falta de valores modernos, do capitalismo onde você é pelo que você tem, da política suja e corrupta, do preconceito, das drogas.
Enfim, estamos cegos da razão, cegos da sensibilidade. Nota-se uma agressividade que nos toma conta, trazendo-nos resultados de desigualdade e sofrimento sem justificação. "Não podemos ficar satisfeitos com a nossa vida entre as sombras".
"Saia da caverna e ouse"! É isso mesmo. Temos que ousar mais! Refiro-me a ter uma atitude crítica na sociedade. Ser crítico, não é dizer que tudo está errado, ser chato, pretensioso julgando saber mais do que os outros, não é isso. Ser crítico é usar nossa capacidade para julgar, discernir e decidir corretamente. Não dá, sinceramente, para nos tornarmos melhores quando em nossa mente a balança perde seu equilíbrio e pende para o lado do vício em TV, internet, novelas, programas banais e por aí vai. Carnaval, Copa do Mundo e ainda a banalização da música no Brasil, que expõe ao ridículo e aliena o ser. Prova disso são os "reis do camarote", que esbanjam dinheiro com coisas fúteis alimentando status, amizades interesseiras, badernas e prostituição descarada, ofendendo e agredindo aquele trabalhador brasileiro que luta para sustentar sua família e que só vê a cor do seu dinheirinho após ter trabalhado os 150 primeiros dias do ano para ficar em dia com o fisco segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBTP).
Contudo, precisamos avançar e não retroceder! A escolha é sua. Acredite e tudo pode dar certo. Infelizmente, nem todos os homens estão prontos para saírem da caverna. Alguns jamais sairão.
EMERSON EDUARDO ZANIN é estudante de Filosofia em Arapongas
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