ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de janeiro de 2014
Mauricio Kalau Gonzales 
O lixo gerado atualmente tem causado problemas que, se não sanados, somente irão piorar a situação com o passar do tempo.
Leis foram criadas para adequar a correta destinação de resíduos sólidos e alternativas que surgiram como a reciclagem de resíduos inorgânicos. Ambas amenizaram, mas não solucionaram totalmente esse problema nas cidades.
Em alguns casos a situação causada pela falta correta de destinação do lixo extrapola suas fronteiras gerando até problemas de saúde pública.
Embora existam soluções técnicas para a solução desse problema, elas não surtem o efeito desejado na maioria das cidades brasileiras por não serem adotadas.
Aquele velho dilema de colocar a culpa em outro que não cumpre com suas obrigações vira um jogo de empurra que acaba por não agradar.
Tomo como exemplo no Paraná o problema da erosão do solo.
Quando existiam em grande quantidade enormes voçorocas por todo o Estado, que levavam aos poucos a terra agricultável e os proprietários por si só pouco podiam fazer para resolver esse problema, o governo do Paraná deu início a um programa integrado de microbacias que foi a solução técnica encontrada na época. Digo "programa integrado" porque o trabalho em microbacias somente poderia ser realizado olhando-se um conjunto de propriedades rurais e não uma em particular. Viu-se que para resolver o problema da erosão em uma propriedade rural era necessário trabalhar o conjunto de algumas propriedades localizadas na mesma área, num mesmo período de tempo, e em alguns casos essas propriedades não pertenciam nem mesmo ao mesmo município.
Foram, então, após equacionado o problema, disponibilizados recursos inclusive financeiros necessários para a realização do trabalho.
Hoje pode-se constatar que os resultados daquela ação governamental foram positivos como um todo, embora o processo de erosão em terras ainda existam em alguns lugares.
No caso do lixo as soluções técnicas como os 3 erres (reduzir, reaproveitar, reciclar), construção de centrais de tratamento de lixo e outras estão apenas começando a ser introduzidas na nossa vida diária e, em muitos casos, a população participa e colabora ativamente nesse contexto.
Nossos hábitos particulares com relação ao lixo têm mudado e poderão mudar ainda mais. Essa atitude colaborativa da população beneficia diretamente a população em geral e os governos municipais, estaduais e federal poderiam agir de forma mais efetiva e integrada na resolução desse problema.
Não basta formalizar uma lei, a de logística reversa é um exemplo. É necessária a ação conjunta e contínua e o aprimoramento dos esforços já existentes para a resolução desse problema.
Quando se decidiu resolver um grande problema da erosão do solo nas terras paranaenses ele foi resolvido. Quando se propuser efetivamente a resolver o problema do lixo com a participação conjunta da sociedade e de seus poderes governamentais ele poderá ser resolvido.
MAURICIO KALAU GONZALES é administrador de empresas e professor em Londrina
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