ESPAÇO ABERTO
Passagem
Mais um ano se vai e mais outro chega. A passagem do dia 31 de dezembro para o dia 1º de janeiro é simbolizada como a mudança de ano. A mudança de tempo, é óbvio, não precisa de uma data específica para ocorrer já que ela acontece todo o tempo, a cada segundo. Porém, é próprio do ser humano significar as coisas, mesmo aquelas mais imateriais e subjetivas. O ano novo é celebrado em quase todo o mundo como a possibilidade de um novo tempo e, portanto, uma nova vida. É a época que se faz os planos para o que se deseja no futuro e se faz um balanço do que já se passou.
Podemos e devemos usar essa passagem simbólica de ano para nos voltarmos a nós mesmos. Frequentemente nossas ideias são voltadas para o que conseguimos medir no mundo externo, se ganhamos isso ou aquilo e pouco ou quase nada avaliamos o que de fato fizemos com nossas mentes. O nosso bem mais valioso, que é a nossa própria vida e a maneira que a vivemos é muitas vezes relegada a segundo plano. Quando isso é assim a vida fica vazia e pobre de sentido.
Temos a possibilidade maravilhosa de olharmos para trás e ver o que podemos melhorar. A passagem de ano deve ser o período para a busca de transformações internas. Ao fazermos planos para o futuro precisamos escolher metas possíveis, pois se nos apegarmos ao impossível é caminho para a frustração. Mas a metas devem estar, acima de tudo, não exclusivamente no mundo externo, porém no mundo interno, nas nossas mentes e no modo que lidamos com nossos relacionamentos e com o que sentimos.
Esse ano o que mais escrevi nos meus textos foi a necessidade de uma revolução, mas revolução da mente, pois esta sim é eficaz e transformadora. Não adianta querer arrumar o externo e esperar deste uma ordem se dentro de nós está uma verdadeira desordem e um lugar cheio de incompreensões e ódio. Estamos atrasados em transformar nossas enfermidades internas em algo bem mais favorável ao desenvolvimento de todos. Que 2014 venha como uma passagem para o mundo interno de cada um e que cada um se empenhe em cuidar de si como de fato cada um merece. Boas festas e reflexões!
SYLVIO DO AMARAL SCHREINER é psicoterapeuta em Londrina
Perspectivas para a saúde em 2014
O ano de 2013 foi marcado por intenso debate sobre a saúde pública, encerrando com a aprovação de uma lei que interferiu fortemente no setor. Foi modificado o processo de formação de médicos e do processo de especialização profissional, permitindo o ingresso de formados no exterior sem passar pela revalidação de seus diplomas. Também desrespeitou-se a legislação trabalhista, ao contratá-los sem a garantia de seus direitos. Permitiu-se ainda a abertura de um grande número de escolas médicas, apesar da falta de corpo docente e de hospitais apropriados para ensino de medicina. Essas modificações foram feitas sem discussão mais profunda com os diversos setores envolvidos e coloca em risco a qualidade do atendimento prestado à população por meio do Sistema Único de Saúde.
O debate sobre o financiamento da saúde foi esquecido, em especial o projeto de lei de iniciativa popular que visa garantir mais recursos para o SUS, anexado a outros projetos em tramitação com forte sinalização de que não será aprovado em sua proposta original. Mais uma vez é dado um passo atrás consolidando o subfinanciamento do setor por parte do governo federal. Na área da saúde suplementar também o cenário demonstrou problemas. Pesquisa feita pela Associação Paulista de Medicina através do Instituto Data Folha revelou enormes dificuldades enfrentadas pelos usuários de planos de saúde, quanto à marcação de consultas com especialistas, falta de leitos hospitalares e sérios problemas no atendimento de emergências.
O ano de 2014 deverá ser decisivo para o sistema de saúde. As eleições vão acirrar os debates sobre quais os melhores caminhos para se garantir o acesso a serviços de saúde de qualidade a toda a população. Os médicos, por sua posição estratégica no sistema de saúde, têm a possibilidade de contribuir de maneira significativa. A APM e as demais entidades médicas têm o dever de se envolver neste debate, colocando com clareza suas críticas e suas propostas para se atingir tal objetivo.
FLORISVAL MEINÃO é presidente da Associação Paulista de Medicina
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